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terça-feira, 9 de abril de 2019

Comboios a Hidrogénio


Os primeiros comboios a serem alimentados por hidrogénio já estão ao serviço - Coradia iLint da Alstom. Os comboios de passageiros emitem apenas vapor de água para atmosfera e passam a circular nas linhas na Baixa Saxônia, na Alemanha.
O Coradia iLint está equipado com células de combustível que convertem hidrogénio e oxigénio em eletricidade, eliminando qualquer poluição lançada na atmosfera. Para além das zero-emissões, os comboios fazem menos barulho que os convencionais, conseguindo atingir velocidades até 140 km/h. Para já apenas podem circular a 100 km/h e irão substituir a frota de comboios a diesel entre as estações Cuxhaven, Bremerhaven, Bremervörde e Buxtehude.

Esta será a solução que a CT – Comboios Transmontanos irá optar na atualização do seu projeto.

terça-feira, 2 de abril de 2019

Bruxelas atribui 119 milhões a Portugal para renovar linha ferroviária do norte


Em causa está, assim, a modernização do troço Ovar-Gaia da linha do norte, “que faz parte da rede transeuropeia de transportes”, assinala Bruxelas.
A Comissão Europeia vai atribuir 119 milhões de euros a Portugal para renovação da linha ferroviária do norte, no troço Ovar-Gaia, verba que provém dos fundos da política de coesão e se destina a criar “maior conforto e segurança”.
Segundo a informação hoje divulgada pelo executivo comunitário, com estes fundos da União Europeia (UE) “os passageiros beneficiarão de um tempo de viagem mais curto, maior conforto e maior segurança neste eixo”.
Em causa está, assim, a modernização do troço Ovar-Gaia da linha do norte, “que faz parte da rede transeuropeia de transportes”, assinala Bruxelas.
Ao todo, a Comissão Europeia vai atribuir quatro mil milhões de euros, no âmbito da política de coesão, a 25 grandes projetos de infraestruturas em 10 Estados-membros.
Além de Portugal, os beneficiários são a Bulgária, a República Checa, a Alemanha, a Grécia, a Hungria, a Itália, a Malta, a Polónia e a Roménia.
“Os projetos abrangem uma vasta gama de domínios: saúde, transportes, investigação, ambiente e energia”, nota Bruxelas, adiantando que, com o cofinanciamento nacional, o investimento total nestes projetos ascende a oito mil milhões de euros.





sábado, 30 de março de 2019

Comboios históricos da CP regressam ao Douro e Vouga em junho


A A CP - Comboios de Portugal anunciou, esta sexta-feira, que os comboios históricos do Douro e do Vouga vão circular entre os meses de junho e outubro, este ano com uma redução na oferta em relação ao ano anterior.
"A partir de 1 de junho e até 26 de outubro, o comboio histórico do Douro, composto por uma locomotiva a vapor e cinco carruagens históricas de madeira datadas do início do século XX, regressa à paisagem singular do Douro Vinhateiro, reconhecido como Património Mundial pela UNESCO, no habitual percurso entre a Régua e o Tua, com paragem na Vila do Pinhão", refere a CP em comunicado.
As viagens realizam-se todos os sábados e no feriado de 15 de agosto, num total de 23 viagens.
Já o comboio histórico do Vouga vai realizar, entre os dias 29 de junho e 12 de outubro, viagens todos os sábados, num total de 16.
"O comboio histórico do Vouga é uma composição de três carruagens de madeira datadas dos primeiros anos do século XX, rebocada por uma locomotiva diesel de 1964, e vai percorrer a Linha do Vouga, entre Aveiro e Macinhata do Vouga", acrescenta.
A empresa adianta que em 2019 estes programas turísticos apresentam uma redução do número de viagens programadas, uma vez que o ano passado se verificou "uma redução dos níveis de procura destes produtos face ao ano anterior".
"No comboio histórico do Douro viajaram, em 2018, 6190 clientes, quando em 2017 esse número foi cerca de 10100 clientes. As receitas obtidas foram da ordem de 51700 euros em 2017 e 43100 euros em 2018", refere a empresa.
No comboio histórico do Vouga, em 2018, viajaram 1630 clientes, enquanto que no ano anterior este número foi de cerca de 2000 clientes. As receitas obtidas foram da ordem dos 375 mil euros em 2017 e de 234 mil euros em 2018.
"A CP mantém a aposta neste segmento de turismo ferroviário, procurando conjugá-la com a necessária sustentabilidade e equilíbrio económico destes produtos. Os comboios históricos do Douro e Vouga estarão também disponíveis para a realização de circulações especiais, para clientes que estejam interessados na sua contratação", conclui.

Fonte: Jornal de Notícias

sexta-feira, 29 de março de 2019

CP acaba com comboio turístico na linha do Douro.


As viagens no Comboio Miradouro, na linha do Douro, vão acabar. A CP diz que "o mercado não terá valorizado" estas carruagens suíças e que, além disso, o comboio "gera prejuízo".
Dois anos depois de terem sido criadas, as viagens no comboio turístico do Douro vão acabar. A decisão de descontinuar o Comboio Miradouro, formado por carruagens suíças dos anos 50, tem a ver com a falta de rentabilidade do serviço e a pouca valorização dada pelos viajantes, justifica a CP – Comboios de Portugal.
“A CP constatou que a procura, na linha do Douro, continuou a concentrar-se nos comboios realizados com Automotoras UTD 592, indicando que o mercado não terá valorizado o Comboio Miradouro”, disse fonte oficial da CP ao Público (acesso condicionado). “Mesmo considerando um cenário de lotação completa, este comboio gera prejuízo para a CP, dada a logística necessária à sua produção”.
Assim, a CP vai uniformizar a oferta no Douro com as automotoras espanholas alugadas à Renfe, que dispõem de ar condicionado (contrariamente ao comboio Miradouro), mas que não permitem desfrutar da paisagem através dos espaços amplos e das janelas, o principal motivo de atração de clientes no verão.
“As automotoras 592 garantem menores custos produtivos, melhor resultado económico, menor consumo energético e menor consumo de recursos humanos, pelo que é a solução que mais contribui para criar valor económico para a CP”, explicou a empresa.
O presidente da Câmara da Régua disse ao Público que desconhecia esta decisão e que vai questionar a empresa. “Tenho a lamentar que acabem com este comboio porque era mais valor acrescentado para o turismo do Douro, que ainda por cima está a crescer”, disse, acrescentando que “é mais uma vez o interior do país a ficar penalizado”.
Já Luís Pedro Martins, presidente do Turismo do Porto e Norte, ressalva a elevada procura por transportes públicos dos turistas que visitam o Douro e diz não compreender esta decisão. “Tenho sérias dúvidas sobre o argumento da CP de que o comboio não é rentável”, afirmou, justificando que a região recebe cerca de 4,3 milhões de turistas por ano, 75% deles na zona do Porto e que o Comboio Miradouro permite o transporte para o interior, mas também uma experiência diferente de viagem.
Esta decisão é também considerada um “erro do ponto de vista comercial” por António Brancanes dos Reis, presidente da Associação Portuguesa dos Amigos dos Caminhos-de-ferro (APAC). “Este comboio tem tido enorme adesão do público porque as carruagens Schindler proporcionam ao público desfrutar da paisagem do Douro pela possibilidade de abertura das janelas, e porque os próprios horários permitiam que fosse utilizado pelos turistas para um passeio com almoço na Régua ou no Pinhão”.

Fonte: Eco Sapo

segunda-feira, 25 de março de 2019

Ainda se sonha com o regresso do comboio à Linha do Corgo

O encerramento da Linha do Corgo deixou um vazio nas aldeias, entre Vila Real e a Régua, e 10 anos depois ainda são muitos os que suspiram de saudade e sonham com o regresso do comboio.
A linha de caminho-de-ferro do Corgo, que ligava as cidades de Vila Real e Peso da Régua, foi encerrada no dia 25 de março de 2009 por decisão do Governo PS de José Sócrates, que alegou razões de segurança.
A notícia foi inesperada e deixou em choque as populações das aldeias que sempre viveram a ver passar os comboios.
"Sinto muito a falta do comboio. A gente com o comboio parecia que estávamos mais completos, até sabíamos as horas e tudo", afirmou à agência Lusa Maria Helena, 60 anos, residente na aldeia de Povoação, no concelho de Vila Real.
Para esta habitante, a "aldeia ficou mais vazia" e com o fecho da via ficou "a tristeza". "Porque a gente nasceu já a ver o comboio aqui, foi uma coisa que nos tiraram de toda a vida", sublinhou.
A Povoação é terra de muitos ferroviários. Um deles é António Bento que faz parte da Junta de Freguesia Ermida/Nogueira, onde está inserida aquela aldeia.
"Foi um choque muito grande, as pessoas sentiram muito a falta do comboio", recordou António Bento, que foi durante 34 anos operador de material circulante.
O autarca disse que soube que a linha ia fechar "precisamente nesse dia" e lembrou que, um ano antes, "tinham sido substituídas 17.000 travessas de madeira (que suportam os carris)". "Nunca imaginámos que a seguir iria fechar", lamentou.
Cármen Forte, 70 anos, foi mulher de um ferroviário e praticamente todos os dias ia ter ao comboio para dar de comer ao marido. Recorda, por isso, com saudade esse tempo e desabafa: "Era bem bom que voltasse, porque faz falta a muita gente".
O comboio era, segundo António Bento, o único meio de transporte que havia e era muito utilizado pelos residentes das aldeias e pelos estudantes que se deslocavam para Vila Real.
Após o fecho da linha, o transporte ferroviário foi substituído pelo autocarro, que segue por estradas estreitas, sinuosas e esburacadas.
Os carris foram arrancados, chegaram a ser anunciadas obras de beneficiação no valor de 23,5 milhões de euros e a reabertura da linha em setembro de 2010. Entretanto passaram 10 anos.
"Eu por natureza sou uma pessoa muito otimista e penso que sim, que a linha pode ser reativada (...) Sim, justifica-se até por um fator de turismo", salientou o autarca.
O Partido Ecologista "Os Verdes" (PEV) deu início em dezembro a uma campanha pela reativação da Linha do Corgo e promove hoje uma caminhada pelo ramal de 25 quilómetros que ligam Vila Real ao Peso da Régua.
"O canal está em ótimas condições e cremos que é possível fazer esse investimento e devolver a via-férrea às populações", afirmou à Lusa Fernando Sá, dirigente de "Os Verdes".
O PEV defende que faz todo o sentido reativar a linha neste momento em que se prevê a eletrificação da Linha do Douro até ao Pocinho, em que o turismo ferroviário é mais cada vez mais procurado e o Corgo pode ser complementar ao Douro, e em que se fala cada vez mais na descarbonização para combater as alterações climáticas.
Fernando Sá disse que, a este propósito, o PEV encetou negociações com o Governo no âmbito do Programa Nacional de Investimentos 2020/2030.
"Vila Real é a única cidade com ensino universitário que não tem transporte ferroviário. É um objetivo e julgo que é possível reabilitar a linha e voltarmos a ter ferrovia, mas uma ferrovia que seja rápida, confortável, que sirva para fins turísticos e também para carga e isso não será fácil sem um grande investimento", salientou o presidente da Câmara de Vila Real, Rui Santos (PS).
E continuou: "estou convencido que apesar dos nossos desejos, nos próximos quatro a cinco anos esse investimento não se concretizará, mas estamos disponíveis para continuar a lutar e para continuar a alertar o poder de Lisboa para a necessidade desta linha".
Rui Santos especificou que defende a reativação daquela linha ferroviária "em toda a extensão, entre a Régua e Chaves". O troço da linha entre Vila Real e Chaves foi encerrado em 1990, durante o Governo PSD de Cavaco Silva
Para já existe o projeto de uma ecovia no ramal entre Vila Real e Régua. No entanto, segundo o autarca, "ficou acertado" com a Infraestruturas de Portugal (IP) que o "canal tem necessariamente de ser sempre preservado para o regresso do comboio".


Fonte: Diário de Notícias



quarta-feira, 20 de março de 2019

Outros Projectos


Convidamos a todos a visitar outro projeto em que nos envolvemos:



quinta-feira, 9 de março de 2017

Estudo defende linha do Douro como alternativa à Beira Alta para ligação a Espanha


Reabrir a linha do Douro até Barca d’Alva custa apenas 43 milhões de euros, mas são necessários mais 119 milhões do lado espanhol. Investimento é justificado pelo turismo, pelo minério de Moncorvo e por colocar o porto de Leixões mais perto de Espanha.
Um estudo da Infraestruturas de Portugal, a que o PÚBLICO teve acesso, dá por adquiridos os investimentos já previstos pela empresa para a linha do Douro e que contemplam a eletrificação até à Régua, mas acrescenta-lhes a prossecução da modernização até ao Pocinho e a reabertura da parte restante até Barca d’Alva, que foi encerrada em 1988.
Mais: o estudo da gestora de infraestruturas abrange também o troço espanhol desde Barca d’Alva até La Fuente de San Esteban (a 57 quilómetros de Salamanca), onde passa a linha internacional de Vilar Formoso para o País Basco e França.
Do lado português, reconstruir os 28 quilómetros da linha Pocinho – Barca d’Alva custa 43 milhões incluindo a sua eletrificação (ou 30 milhões se não for eletrificada) e do lado espanhol o investimento estimado situa-se entre os 87 e os 119 milhões de euros, consoante a linha seja para comboios a diesel ou elétricos. Para ambos os troços há a possibilidade de obter fundos comunitários ao abrigo do programa comunitário Interreg.
Para fundamentar estes investimentos, o documento refere que “a reativação da ligação internacional permite enquadrar a linha do Douro entre dois importantes polos geradores de tráfego e dotados de infraestruturas de transporte relevantes”: o aeroporto Francisco Sá Carneiro e o terminal de passageiros de Leixões de um lado, e a estação de Alta Velocidade de Salamanca. Entre estes pontos “surge um eixo turístico de excelência, constituído por quatro destinos classificados pela UNESCO como Património da Humanidade: Porto, Douro Vinhateiro, Gravuras Rupestres do Vale do Côa e Salamanca”.
Nos últimos anos tem vindo a crescer a procura de passageiros na linha do Douro para fins turísticos, a par da dos cruzeiros fluviais, que não se limitam à Régua, seguindo também a Barca d’Alva.
No que toca às mercadorias, a Infraestruturas de Portugal refere o potencial deste corredor ferroviário para o escoamento do minério de Moncorvo, não só para Leixões (como está previsto), mas também para as plataformas industriais e logísticas de Castela-Léon através de Barca d’Alva.
O estudo apresenta ainda a abertura desta ligação internacional como a melhor solução para as mercadorias do porto de Leixões chegarem a Espanha e à Europa, dado que encurta a viagem (de ida e volta) em menos 220 quilómetros do que pela linha da Beira Alta. Uma solução que tem ainda a vantagem de evitar fazer passar o tráfego de mercadorias de Leixões pelo sobrecarregado troço Ovar – Gaia na linha do Norte.
O plano de investimentos ferroviários apresentado em Fevereiro do ano passado prevê, no entanto, a construção de uma linha nova entre Aveiro e Mangualde que custa 677 milhões de euros. O projeto foi chumbado por Bruxelas porque a análise custo-benefício era negativa, mas o governo vai voltar a candidatá-lo a fundos comunitários. 
Aplauso autárquico
“Do ponto de vista comercial [a reabertura da linha] seria absolutamente extraordinário”. Carlos Guerra, consultor da MTI – Ferro de Moncorvo, não poupa nos adjetivos: “seria fabuloso porque há grandes siderurgias espanholas no norte de Espanha, nomeadamente em Gijón, e isso permitia-nos escoar o minério por um caminho mais curto”.
A empresa que tem a concessão das minas de Moncorvo tem previsto transportar parte do minério por comboio até Leixões e, para já, estando apenas prevista a eletrificação da via férrea até à Régua, Carlos Guerra diz que já veria com bons olhos que a modernização prosseguisse até ao Pocinho.
Gustavo Duarte, presidente da Câmara de Foz Côa, diz que concorda plenamente com as premissas deste estudo da Infraestruturas de Portugal, até porque o seu concelho é o único no país que tem dois patrimónios da UNESCO: o Douro Vinhateiro e as gravuras rupestres. Acrescenta-lhe o Centro de Alto Rendimento do Remo e de Canoagem do Pocinho, “que é considerado um dos melhores do mundo” e que só ganharia com uma maior acessibilidade. “A reabertura da linha seria a cereja em cima do bolo para esta região”, disse ao PÚBLICO, acrescentando que tem insistido junto de vários governos e em reuniões com espanhóis que se alocassem fundos do programa Interreg para este projeto transfronteiriço.
Em sintonia, está, naturalmente, o diretor do Museu de Foz Côa, Martinho Baptista. “Sempre defendi a reabertura desta linha que passa mesmo em frente ao museu e onde há ainda a antiga estação. Para nós haveria todo o interesse pois permitia-nos receber mais visitantes do Porto e de Espanha”, disse.
Matilde Costa, em representação da Barcadouro, Rota do Douro e Tomaz do Douro (empresas especializadas em cruzeiros de um dia no rio Douro) recorda que já em 2009 houve uma “assinatura festiva” de um protocolo entre a Estrutura de Missão do Douro, a Refer, a CP a CCDRN e o IPTM na presença da atual ministra do Mar, Ana Paula Vitorino, à data secretária de Estado dos Transportes. O objetivo era reativar a linha do Pocinho a Barca d’Alva, “mas não passou das boas intenções”.
No entanto, considera que um tal projeto deve ser “viabilizado pela Infraestruturas de Portugal e pelo governo como medida estruturante para a região”.
A Douro Azul, o principal operador turístico fluvial do Douro, não quis prestar declarações ao PÚBLICO.
Contactada a Medway (antiga CP Carga), fonte oficial da empresa respondeu que “obviamente, tudo quanto seja criar facilidades de comunicação ferroviária, leia-se infraestruturas, com Espanha, merece o apoio da Medway, na medida em que potencia o seu negócio”.
Mas o mesmo não respondeu a sua concorrente Takargo. “Na perspectiva pura das mercadorias, haveria que verificar quais os tráfegos que utilizariam esta saída para Espanha”, diz Miguel Lisboa, daquela empresa. “E haveria que ver se há alguma expectativa de reabertura do lado espanhol porque sem continuidade do outro lado, isto não faz sentido”. O administrador diz que, para o seu negócio, é mais importante que se façam de vez as obras de modernização das linhas do Minho e da Beira Alta e se construa o Évora – Caia.

Levar o suburbano a Amarante

Enquanto ramal da linha da Douro, o troço de 13 quilómetros de via estreita entre Livração (concelho de Marco de Canavezes) e Amarante, foi também alvo de um estudo sumário com vista à sua reconversão em via larga e inserção na rede de suburbanos do Porto.
Aquela linha foi encerrada em 2009 para ser reabilitada, mas as obras nunca tiveram início, ficando a infraestrutura abandonada. O documento da Infraestruturas de Portugal diz que “a reconversão em via larga do troço Livração – Amarante não apresenta grandes dificuldades técnicas e permite encurtar a distância para cerca de 10 quilómetros”. Obriga, no entanto, à construção de 750 metros de túneis e 250 metros de viadutos, bem como de uma nova estação na cidade. O investimento previsto é de 37,5 milhões.
Um outro antigo ramal de via estreita foi também objeto de atenção prospetiva. Parte da velha linha do Sabor, entre Pocinho e Carvalhal (23 quilómetros) poderá ser reconstruída para transporte de minério das minas de Moncorvo, ligando-se assim diretamente à linha do Douro. O documento refere que a baixa velocidade ali permitida devido à sinuosidade do traçado não é um problema porque se destinaria a comboios de mercadorias. E que a própria pendente (naquele troço a linha sobe do nível do rio Douro ao planalto mirandês) também não o é visto que os comboios subiriam vazios e desceriam carregados. Trinta milhões de euros é o investimento estimado, necessariamente comparticipado pelas próprias minas de Moncorvo.

Fonte: Público


segunda-feira, 4 de julho de 2016

Comboio turístico do Tua ainda sem as estações

Empresa Transportes Turísticos do Vale do Tua continua a negociar com a IP para poder usufruir dos edifícios

Se o futuro comboio histórico da linha do Tua tivesse de apitar hoje, entre Brunheda e Mirandela, já podia. Ainda estão a ser feitas algumas obras de consolidação das encostas, mas os 37 quilómetros de via-férrea estão completamente reabilitados e prontos para a circulação.
Foi o que a reportagem do JN comprovou ontem, a bordo de um veículo criado para viagens de cortesia. É como uma mota acoplada a uma estrutura simples, apta a circular sobre carris e que tem cinco confortáveis bancos. Esta puxa uma outra com mais oito lugares.
Nesta viagem, o líder da Douro Azul, Mário Ferreira, explicou o que já foi feito e o que falta fazer, no âmbito do plano de mobilidade previsto nas contrapartidas da construção da barragem do Tua, entre os concelhos de Carrazeda de Ansiães e Alijó.
Como noticiámos ontem, o sistema multimodal já definido apenas contempla viagens turísticas (as quotidianas ainda estão em estudo). Os quatro quilómetros entre a estação de Foz-Tua e o cais da barragem vão ser feitos de autocarro descapotável. Os turistas seguem depois em barco rabelo, ainda em construção, durante 19 quilómetros até ao cais da Brunheda, onde poderão embarcar no comboio histórico, ao longo de mais 37 quilómetros até Mirandela.
Quando este plano entrar em funcionamento, em março do próximo ano, Mário Ferreira espera já ter chegado a acordo com a Infraestruturas de Portugal para o arrendamento das estações e apeadeiros daquele troço.
 
Já quanto à estação de Mirandela, o autarca, António Branco, lamenta o “estado de degradação a que chegou” e que as conversações com os últimos governos e com as empresas que detêm aquele património não tenham dado em nada.
“Temos, há longos anos, feito propostas para que nos seja vendida a estação para a reabilitar, bem como toda a zona envolvente, mas ainda não tivemos uma resposta concreta. A propriedade continua em posse da Infraestruturas de Portugal e é tempo de alguém decidir, pois não podemos correr o risco de uma dia a estação ruir”, frisou.

Fonte: JN

Comboio volta a apitar no vale do Tua em 2017

Carrazeda de Ansiães Projeto prevê o transporte de turistas em composição histórica entre as estações da Brunheda e de Mirandela

O vale do Tua voltará a ter comboio a partir de março de 2017. Pelo menos para fins turísticos. Uma locomotiva histórica puxará quatro carruagens entre Brunheda (Carrazeda de Ansiães) e Mirandela.
É uma das partes do plano de mobilidade previsto nas contrapartidas pela construção de uma barragem, junto à foz do rio, entre os concelhos de Carrazeda e Alijó. O resto do percurso até Foz-Tua será assegurado por um barco rabelo e por um autocarro descapotável.
O projeto é da empresa Transportes Turísticos do Vale do Tua, SA, constituída para o efeito dentro do universo Douro Azul, liderado por Mário Ferreira. Resulta de um acordo fechado com a EDP, que construiu a barragem, e a Agência de Desenvolvimento Regional do Vale do Tua, que representa os concelhos abrangidos pelo aproveitamento hidroelétrico: Carrazeda de Ansiães, Alijó, Murça, Vila Flor e Mirandela.
Transporte de passageiros
“É um projeto ambicioso e difícil”, admite, ao JN, Mário Ferreira, já que se trata de “uma nova atração turística onde nada existe para além das belíssimas paisagens”.
Para além da componente turística, está também previsto o transporte quotidiano de passageiros, embora o modelo esteja ainda a ser ultimado com as cinco câmaras municipais e com a EDP.
“Queremos um modelo que sirva bem a população, mas que não se limite a andar só com uma pessoa para trás e para a frente”, nota o empresário.
Neste momento, já estão concluídas as obras de reabilitação dos 37 quilómetros de linha do Tua, entre Brunheda e Mirandela. Uma boa parte dos carris e travessas levantados no troço de 18 quilómetros que vai ser afogado pela albufeira foram usados para as obras no restante percurso. Em fase final estão os trabalhos de estabilização de margens, drenagens, entre outros.
Por concluir estão as negociações com a Infraestruturas de Porem tugal para a empresa ficar com as estações e apeadeiros daquele troço: Brunheda, Codeçais, Abreiro, Ribeirinha, Vilarinho, Cachão, Frechas e Latadas. De fora fica a estação de Mirandela, em posse da Câmara.
Outra vida para o vale
Mário Ferreira garante que “o projeto poderá começar a funcionar a 100% a partir de março do próximo ano, desde que haja água na albufeira”. A partir daí o vale poderá ter outra vida. De resto, o responsável da Douro Azul vinca que “a linha do Tua foi salva pela barragem”.
Sublinha que “se não fosse ela, a ferrovia estava morta, uma vez que já estava parada antes de a barragem ser anunciada”. Agora, com este projeto, “existe a possibilidade de salvar mais de dois terços da via, condições de segurança que não existiam previamente”.
Para a Douro Azul, este novo negócio representa uma “nova, diferente e muito interessante atração turística dentro da região duriense”.
Mário Ferreira está convencido de que significará “um sem-fim de oportunidades” que vão surgir a partir da base de clientes que vão ser redirecionados para o vale do Tua. Porém, avisa, “vão ser necessárias várias infraestruturas que fazem muita falta”, nomeadamente “alojamento, restaurantes e postos de venda de produtos regionais”.
Até agora, insiste, “podia não haver razões para existir mais oferta nestes setores de atividade, mas agora é preciso repensá-la, pois aquela zona está condenada ao sucesso”.


Fonte: JN 

 

quinta-feira, 16 de junho de 2016

Desmantelamento da via estreita na estação da Régua


A entidade gestora pela infraestrutura ferroviária procedeu recentemente ao desmantelamento da via algaliada de via estreita ferroviária na estação da Régua, infraestrutura ferroviária essa que permitia a ligação de todo o complexo ferroviário entre si de via estreita nesta estação, nomeadamente do lado sul da estação onde estão localizados os cais de embarque da linha do Corgo com todo o complexo operacional do lado norte da estação, onde se localizam outras linhas de estacionamento e operacionalização deste modo de exploração ferroviário, bem como a sua articulação com o lado este da estação, onde até agora seria possível articular todo este complexo ferroviário com o complexo oficinal da EMEF localizado em Corgo.

aqui a notícia completa. 

Fonte: EOL

terça-feira, 24 de junho de 2014

O sonho continua…




Queremos informar que ainda não desistimos
de realizar o nosso sonho.


Pode ser que em breve tenhamos novidades…




sexta-feira, 10 de maio de 2013

CT/Virgin


Informamos que tentámos durante os últimos meses convencer o Grupo Virgin a assumir o projecto CT Comboios Transmontanos. Infelizmente, os nossos esforços não tiverem o desfecho desejado. Foi um grande revés para o trabalho que estávamos a desenvolver. Contudo, não vamos deitar a toalha ao chão!


segunda-feira, 2 de julho de 2012

Novo projeto CT - 2012


1. Introdução
Este projeto começou com a nostalgia de um Flaviense que teve a alegria e o prazer de poder viajar nas linhas do Corgo e do Tua, antes destas belas linhas ferroviárias, de via estreita transmontanas, terem sido encerradas. Nenhuma alma flaviense consegue ficar indiferente quando percorre o trajeto da antiga linha do Corgo à procura dos vestígios do que ainda resta desse passado glorioso. O mesmo sucede quando visitamos os despojos da Linha do Tua em Abreiro e em Mirandela.  
Quem não recorda o passado quando estes comboios circulavam cheios de passageiros ao longo das linhas transmontanas?
Quem não guarda na memória a imagem de sair na estação de Peso da Régua, do comboio procedente do Porto e apanhar o comboio para Chaves... Esta mudança de comboio tinha de ser rápida para conseguir um lugar à janela. Eram muitas as pessoas que seguiam no comboio para Chaves. O comboio andava sempre cheio até Vila Pouca de Aguiar. Após esta estação era possível arranjar algum espaço livre.
Quem não se lembra de ver a estação de Vidago cheia de gente…
O que mais revolta em tudo isto é a passividade dos autarcas transmontanos sobre o encerramento das Linhas Transmontanas. Todos gostam de falar de regionalização, mas não seriam as Linhas Transmontanas, a bandeira mais emblemática de afirmação dessa regionalização?!
Qualquer região europeia com autonomia regional, tem como principal premissa e preocupação, o estabelecer de vias de comunicação entre os municípios da sua região. O comboio é hoje, a melhor aposta que tem vindo a ser seguida na Europa. Vejam os vários exemplos da nossa vizinha Espanha, que está a modernizar todas as suas vias estreitas, não só para turismo, mas também para o transporte diário de passageiros. A exploração turística que faz dessas vias-férreas é uma das formas de financiamento encontradas para manter abertas essas linhas ao transporte de passageiros. Mas o que realmente faz dessa exploração um sucesso, é oferta de um serviço de qualidade, com uma boa oferta de horários e com comboios modernos, que para além do conforto que oferecem, conseguem uma maior rapidez nas viagens entre as localidades.
Quando em 2010 iniciámos o projeto CT – Comboios Transmontanos S.A. confinámo-lo praticamente aos traçados já existentes, construindo apenas alguns novos ramais. Após termos aprofundando a nossa análise sobre o projeto da FEVE, fonte de inspiração para o projeto CT e juntamente com os contributos que fomos recebendo, alargamos o campo de exploração do projeto CT a todas as linhas de via estreita em Portugal, passíveis de exploração. Contudo, com a atual conjuntura económica, achamos melhor restringir o projeto CT às linhas transmontanas. Contudo, conseguimos encontrar uma forma de melhorar os resultados de exploração das linhas transmontanas com a construção de uma nova linha, a Linha de Braga, que ligará a Linha do Corgo à cidade de Braga, passando por Fafe e Guimarães. Com esta nova linha conseguimos finalmente ligar diretamente, por via ferroviária, as cidades de Guimarães e Braga. Além disso, voltamos a colocar no mapa ferroviário a cidade de Fafe. O traçado desta nova linha, utilizará parte do traçado da antiga Linha Guimarães (via estreita).
Com a Linha de Braga conseguimos ligações mais rápidas aos comboios Alfa Pendular com destino a Lisboa com partida de Braga e/ou Guimarães. Conseguindo criar horários que permitem que no mesmo dia, se possa ir e voltar, de Bragança e/ou Chaves a Lisboa.
A ligação das cidades de Braga e Guimarães por via-férrea, irá ser uma das mais-valias financeiras deste projeto.
Além disso, propormos a reativação do troço entre Pocinho e Barca d’Alva em via estreita, ligando assim este troço à linha do Sabor. Esta ligação irá permitir a circulação de um comboio turístico, o Transmontano Express entre Régua e Barca d’Alva, circulando ao longo das linhas do Corgo, Tua e Sabor. Para que esta circulação seja possível, irão ser construídos 2 ramais que vão permitir a ligação entre a Linha do Corgo com a Linha do Tua e a ligação entre a Linha do Tua com a Linha do Sabor.
Assim, defendemos que a CT - Comboios Transmontanos S.A. fique responsável pela gestão das linhas do Tâmega, Corgo, Tua, Sabor, Braga, Ramal de Valpaços (ligação da Linha do Corgo à Linha do Tua) e Ramal de Vimioso (ligação da Linha do Tua à Linha do Sabor). Com estes ramais é possível fazer uma gestão integrada de todas as linhas, permitindo a viabilidade do projeto.
Este projeto é pragmático sobre a questão da barragem da EDP e a consequente submersão de parte da Linha do Tua, por isso, defendemos a utilização da Linha do Tua apenas entre Abreiro (ou Brunheda) e Bragança, ficando assegurada a ligação à Linha do Douro através da Linha do Corgo e da Linha do Sabor, com a construção dos novos troços. Contudo, estamos disponíveis para prolongar a Linha do Tua para além de Abreiro até ao local onde vai ser construído o ancoradouro dos barcos do projeto da EDP.
Para além do transporte de passageiros, este projeto está preparado para gerir o transporte de mercadorias. Grande parte das estações foi redimensionada para receber comboios de mercadorias, estando previsto a construção de terminais de mercadorias.
Com a reabertura da Linha do Douro entre Pocinho e Barca D’Alva permitirá ao Transmontano Express (a nossa aposta no turismo ferroviário) explorar possíveis parcerias com as empresas que exploram as viagens fluviais ao longo do Rio Douro até Barca D’Alva, oferecendo uma viagem num comboio especial focado para a vertente turística. Esta viagem iria percorrer os traçados das várias linhas transmontanas, desde Barca D’Alva até à Régua. Para valorizar ainda mais o projeto do Transmontano Express defendemos a transformação em Pousada da estação de Barca D’Alva. Desta forma irá permitir oferecer pacotes turísticos ainda mais interessantes, conjugando a estadia com viagens de barco e de comboio.
As viagens do Transmontano Express podem ser associadas a outras parcerias regionais ao longo das várias localidades transmontanos por onde passa.
O projeto CT propõe a construção de 240 km de via-férrea e a reposição/modernização de 429 km. No total estamos a falar de 669 km de via-férrea. È o maior projeto ferroviário de via estreita alguma vez apresentado em Portugal, desde o início da construção das primeiras linhas de caminhos-de-ferro em Portugal.
Está na altura de Portugal deixar de construir mais autoestradas e apostar finalmente naquilo que já deveria ter feito nos anos 80: modernizar e construir novas linhas de caminhos-de-ferro para transporte de passageiros e mercadorias. Se essa aposta tivesse sido feita no passado, com toda a certeza a atual conjuntura económica Portuguesa poderia ser outra. Estamos a pagar hoje pelos erros acumulados nas últimas 3 décadas. Não percamos mais tempo.
O projeto CT tem inúmeras vantagens para as populações servidas, tornando ainda mais apetecível o transporte ferroviário na atual conjuntura de crise económica.
O projeto CT foi melhorando em relação ao projeto inicial, graças aos contributos que fomos recebendo. Introduzimos algumas ideias novas, com o objectivo de tornar o projeto CT um projeto financeiramente rentável, para que possa ser um produto apetecível aos investidores privados. Deixámos de acreditar no estado português (governo e autarquias) como os principais acionista deste projeto. Além disso, queremos também demonstrar a exequibilidade de um grande projeto no sector ferroviário através da iniciativa privada.
É bom para a economia Portuguesa que mais projetos privados apareçam neste sector. Não podemos estar sempre à espera da moleta ou dos subsídios estatais. A conjuntura atual da economia Portuguesa poderia ser outra, se a nossa economia não fosse demasiada dependente do estado e se este não estivesse demasiado presente. Quanto maior for o “comboio” do estado na economia, mais impostos somos obrigados a pagar e menos financiamento fica disponível para os verdadeiros investidores, criadores de riqueza.
Por isso defendemos a abertura de um concurso para a concessão da exploração das linhas transmontanas por um prazo nunca inferior a 50 anos, onde o estado cede todas as infraestruturas existentes à futura concessionária, sem qualquer custo para esta. Em contrapartida, a concessionária terá de modernizar todas as linhas transmontanas e assegurar tarifas sociais. A concessão é renovável por períodos idênticos, caso o estado não pretenda renovar a concessão terá de reembolsar todas as mais-valias que a concessionária efetuou às infraestruturas das linhas, acrescidas de juros comercias à taxa em vigor.
O Estado concederá a DUP à concessionária para possa fazer todas as expropriações que achar necessárias, incluindo a prioridade do traçado ferroviária em relação às estradas nacionais.
Esperamos que o nosso trabalho esteja bem elaborado para que os eventuais investidores apareçam para financiar este projeto, tendo como garantia o retorno do seu investimento.

aqui o novo projeto CT ou podes transferir o ficheiro para o teu computador.



terça-feira, 5 de junho de 2012

O maior investimento estrangeiro de sempre em Portugal pode nascer nas minas de Moncorvo.


O essencial das negociações entre o Governo e a multinacional anglo-australiana Rio Tinto, para a exploração de ferro nas minas de Moncorvo, no Nordeste do país, está concluída e a assinatura do contrato está prevista para a semana entre 11 e 15 de Junho. 

 O PÚBLICO apurou que o contrato a assinar, que deverá representar o maior investimento estrangeiro alguma vez realizado em Portugal, assumirá a forma de "concessão experimental". Tecnicamente, a concessão experimental é uma fase intermédia até ao contrato de exploração final, e visa aprofundar o conhecimento do jazigo, que se admite ser um dos maiores da Europa. 

A concessão experimental apresenta ainda outra vantagem, que é a de permitir adiar as licenças e os estudos finais de impacte ambiental para a fase em que há certeza absoluta de que a riqueza é compatível com o investimento necessário. Esta concessão intermédia permite, assim, diminuir o risco do investimento, que, tendo como referência outras explorações semelhantes a nível mundial, poderá ultrapassar os mil milhões de euros. 

O grosso do investimento no coração de Trás-os-Montes só será feito na fase da concessão definitiva, o que deverá acontecer no prazo de cinco a oito anos. Durante a primeira fase de concessão, já haverá algum investimento, dado que será feita uma grande movimentação de materiais, a pré-concentração do minério à boca da mina e o seu transporte para tratamento definitiva. 

O PÚBLICO apurou junto de fonte conhecedora do processo que os estudos recentes sobre a qualidade do minério "são bastante animadores, apontando para uma mina de classe mundial". Animadora é também a evolução da cotação de ferro nos mercados internacionais, que continua em alta. A impulsionar a exploração está ainda a elevada dependência da Europa em relação a esta matéria-prima, superando os 90%, o que deixa várias indústrias europeias, incluindo a automóvel, na mão de fornecedores internacionais. 

 Contactado pelo PÚBLICO, o Ministério da Economia (ME) não prestou, até ao fecho da edição, qualquer esclarecimento sobre este assunto. A última posição oficial do ME sobre este projecto de investimento foi a de que "não comentava negociações em curso". 

 Dificuldades de escoamento 
 As negociações arrastam-se há mais de meio ano, por diversas questões, entre as quais os prazos de exploração experimental e o transporte do minério, que envolve quantidades elevadas, sendo uma componente importante para a rentabilização da exploração. Na questão do transporte, uma das soluções equacionadas, e que está referenciada inclusive na página de Internet da MTI - a empresa de capitais portugueses e estrangeiros que detém a concessão de prospecção e pesquisa das minas de ferro de Moncorvo -, é o transporte fluvial, através do rio Douro. 

Esta solução poderá estar afastada, pelo menos numa fase inicial, devido a limitações de navegabilidade do rio, que actualmente não comporta barcos com grande capacidade de carga. Equacionada e também referida no site da empresa tem sido a construção de um mineroduto, canal de transporte de minério como existe para o gás ou para combustíveis, solução utilizada em vários países do mundo. 

Esta infra-estrutura, que poderia aproveitar parte da rede de auto-estradas, ligaria Moncorvo directamente ao Porto de Aveiro, com capacidade de atracagem de grandes navios de carga se forem realizados investimentos para o desassoreamento do Porto. De acordo com a informação da MTI, esta seria uma solução mais económica, permitindo elevada capacidade de escoamento. 

Para já, a solução que poderá garantir o escoamento de minério na fase de exploração experimental será a ferroviária, o que implicará a construção de um troço, na antiga linha ferroviária do Sabor, entre Moncorvo e Pocinho, utilizando depois a já existente, no Douro, até ao Porto de Leixões ou até ao Porto de Aveiro. O Porto de Leixões tem condições de profundidade para a atracagem de grandes navios de carga, mas apresenta algumas limitações de capacidade, numa altura em que o alargamento do Canal do Panamá faz aumentar a navegação desse tipo de barcos no porto nortenho. 

Uma soluções discutida no passado para o escoamento de mercadorias do Nordeste para Lisboa/Sines, mas também para Espanha, passava pela construção de uma ligação ferroviária do Pocinho a Vila Franca das Naves, permitindo a ligação à linha ferroviária da Beira Alta. 

 O PÚBLICO sabe que durante as negociações entre a Rio Tinto, uma das três maiores mineiras a nível mundial, e o Governo terá sido equacionada a possibilidade de escoamento do minério via Espanha, solução que terá desagradado ao Ministério da Economia. 

 É de notar que foi o ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira, que no final de Outubro do ano passado referiu que estava a ser negociado um projecto de investimento estrangeiro que seria o maior alguma vez realizado em Portugal. Poucos dias depois, ficou a saber-se que a negociação envolvia a exploração das minas de Moncorvo e multinacional anglo-australiana, que está presente em mais de 20 países do mundo. 

Fonte: Público

quinta-feira, 17 de maio de 2012

UNESCO quer mandar parar obras da barragem do Tua


Parar imediatamente as obras de construção da barragem de Foz Tua, solicitar uma missão conjunta de análise à situação da área de paisagem classificada do Alto Douro Vinhateiro como Património Mundial e remeter um relatório actualizado até ao final de Janeiro próximo. 

Estas são as principais exigências que o Comité do Património Mundial da UNESCO se prepara para adoptar na sua reunião de Junho, relativamente ao caso da construção da barragem da EDP na foz deste afluente do rio Douro. 

O projecto de decisão, a que o PÚBLICO teve acesso, está já concluído e, além daquelas exigências, é também colocado em causa o comportamento das autoridades portuguesas ao longo de todo o processo. Apesar de redigido, como é norma, num tom diplomático, o documento não deixa referir uma postura que pode ser classificado como de certa deslealdade por parte dos responsáveis portugueses, que não prestaram qualquer informação sobre os projectos para a construção de barragens e autorizaram o arranque das obras numa altura em que a missão de análise acabava de visitar o local e não tinha ainda sequer iniciado o seu relatório. 

Quanto à parte decisória, com dez pontos, não deixa margem para dúvidas ao "instar o Estado [português] a parar imediatamente todos os trabalhos de construção da barragem de Foz Tua e toda a infra-estrutura associada". É igualmente exigido que seja solicitada a realização de uma "missão conjunta de monotorização para estudo do impacto potencial" das alterações ao projecto que foram, entretanto, anunciadas pela EDP. E ainda que o Estado português "remeta ao Comité do Património Mundial um relatório sobre a revisão ou o reexame do projecto" e também "sobre o estado de conservação" da área classificada, para que seja analisado pelo comité na sua reunião anual de 2013.
O projecto de decisão será analisado no encontro deste ano, que decorre a partir de 24 de Junho na cidade de S. Petersburgo, na Rússia. Em regra, todas as propostas são aprovadas, havendo apenas registo de pequenas alterações ou arranjos resultantes do trabalho diplomático que antecede este tipo e encontros. 

Como foi noticiado pelo PÚBLICO em Dezembro último, um relatório de avaliação resultante de uma visita realizada ao Douro, no início de Abril do ano passado, considerava que a construção da barragem de Foz Tua tem um "impacto irreversível e ameaça os valores" que estiveram na base da classificação do Alto Douro Vinhateiro como Património Mundial. Apesar de ter sido entregue às autoridades portuguesas ainda em Agosto, foi mantido em segredo até à divulgação da notícia e a resposta oficial do Governo àquele comité da UNESCO só terá chegado a 8 de Fevereiro deste ano, conforme se constata agora do projecto de decisão. No confronto de datas, o documento realça que "o projecto da barragem - embora previsto no Plano Energético Nacional de 1989 e no Plano de Bacia Hidrográfica do Douro de 1999 - nunca foi mencionado no dossier de candidatura". Refere-se ainda que em 2008 o Instituto da Água lançou o concurso público para a concessão da barragem. Este seria aprovado em 2010 e "o Estado [português] só informou o Centro do Património Mundial quando para tal foi solicitado". O projecto de decisão frisa também que o estudo de impacto ambiental "não inclui qualquer avaliação do impacto sobre o valor universal excepcional da paisagem classificada". 

Quanto à resposta dada pelo Estado português, foi argumentado que o projecto foi objecto de consulta pública e que as obra só poderiam avançar depois de uma avaliação favorável, ou com condições, de impacto ambiental, documento cuja data limite de publicação era 12 de Abril de 2010. "No entanto, a 11 de Maio de 2009, o projecto já tinha recebido uma aprovação ambiental, sob certas condições", frisa o comité da UNESCO. Outro dos argumentos avançados pelo Governo foi o de que, sendo o Alto Douro Vinhateiro considerado como "uma paisagem cultural evolutiva". há toda a conveniência em assegurar "a vida e a evolução". 

Em Dezembro, quando o PÚBLICO deu conta do relatório e da consequente ameaça para a classificação da UNESCO, o secretário de Estado da Cultura disse que o Governo admitia rever o processo. "Tem de ser uma decisão muito ponderada e assumida em bloco, e o Governo pondera analisar e avaliar toda a situação", disse então Francisco José Viegas.

 fonte: Público

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Tentativa de venda de comboio histórico da CP suscita escândalo e boicote na Europa

Federação Europeia de Caminhos-de-Ferro Turísticos apelou a museus para não comprarem comboio de via estreita estacionado na Régua, em nome da defesa do património português.

CP tentou vender junto de museus ferroviários europeus o comboio histórico de via estreita estacionado na Régua, mas a Federação Europeia das Associações de Caminhos-de-Ferro Turísticos (Fedecrail) boicotou essa tentativa, pedindo aos museus que renunciassem à compra, mesmo que estivessem interessados.

"Essa proposta pareceu-nos escandalosa, porque o material em via métrica português é raro e é uma composição que está em bom estado", disse ao PÚBLICO Jacques Daffis, vice-presidente da Fedecrail, que tomou a iniciativa de informar o Museu Nacional Ferroviário português, que desconhecia esta tentativa de venda por parte da CP. "O que é incrível é que a CP tenha proposto a sua venda sem informar previamente o museu português", disse, explicando que a posição da Fedecrail é de que o património deste tipo só deve ser vendido ao estrangeiro "se não houver nenhuma possibilidade de preservação no país de origem e/ou se estiver em perigo".

A tentativa de venda partiu da CP Frota, a unidade de negócios que gere o material circulante, através de um email muito informal, datado de 9 de Novembro e enviado para museus ferroviários europeus, no qual até se propunha que fossem estes a avançar com uma proposta de preço.

Contactada a CP, a porta-voz da empresa explicou que se trata de um comboio que está em condições operacionais (em 2005 ainda circulou na Linha do Corgo), mas que não tem agora utilização possível em Portugal, com o fim anunciado da Linha do Vouga, que é a última linha de via estreita em funcionamento no país. "Podendo haver interesse por alguma companhia ferroviária na sua colocação ao serviço para fins turísticos, a CP fez uma primeira auscultação do mercado para verificar a existência de eventuais interessados", disse a mesma fonte. A CP mantém, por isso, o interesse na venda, mas admite agora que "será dada preferência ao Museu Nacional Ferroviário, caso este tenha disponibilidade" para o comprar.

Esta posição oficial da CP surpreendeu o presidente da Fundação do Museu Nacional Ferroviário, Júlio Arroja, que tinha pedido à CP para que houvesse uma "cedência" (e não uma venda) daquele material circulante ao museu. "Foi feito um pedido à administração da CP e creio que o assunto está bem encaminhado", disse ao PÚBLICO.

É que, embora tenha sede no Entroncamento, o Museu Nacional Ferroviário tem secções museológicas em todo o país e existe precisamente um projecto para Macinhata do Vouga (Águeda). Este projecto consiste na requalificação do complexo ferroviária daquela estação, para albergar ali o comboio histórico e poder vir a dar-lhe utilização, com passeios turísticos entre Aveiro, Águeda e Sernada do Vouga. Um projecto que agora fica no limbo, com o encerramento da Linha do Vouga.

Material do início do séc. XX
O comboio histórico de via estreita em causa é composto por uma locomotiva a vapor fabricada na Alemanha em 1923 e enviada para Portugal a título de indemnização da I Grande Guerra. Esta máquina prestou serviço em praticamente todas as linhas de via estreita do país e está ainda operacional. A composição pode também ser rebocada por uma locomotiva a diesel de 1964, fabricada em Espanha, e comprada pela CP em segunda mão nos anos setenta.

Além de um furgão em madeira de 1925 e de um vagão-cisterna, a composição inclui uma carruagem de origem belga de 1908, outra fabricada na Alemanha em 1925 e ainda uma outra construída pelos então Caminhos de Ferro do Estado, nas oficinas do Porto, em 1913. O conjunto constitui um acervo único em Portugal e raro na Europa, que deve ser preservado, "de preferência no país de origem", refere Jacques Daffis.

Comboios turísticos
Apesar de residual em Portugal, a exploração de comboios turísticos e dos museus ferroviários a que estes estão associados constituem uma actividade que só em três países europeus – Alemanha, Reino Unido e França – emprega 3812 pessoas e factura anualmente 174 milhões de euros.A Fedecrail – Federação Europeia dos Caminhos-de-Ferro Turísticos e Históricos é um organização de direito belga que congrega 616 membros de 27 países e que tem por missão a coordenação de todos os caminhos-de-ferro históricos e dos museus que se ocupam da sua conservação, bem como da protecção do material circulante que lhes está associado.

Em Portugal, o único comboio histórico em funcionamento é o do Douro, entre a Régua e o Pinhão, que só circula no período de Verão. A CP ameaça acabar com ele, se não aparecer qualquer entidade disposta a assumir-se como parceira de exploração do comboio que este ano registou prejuízos da ordem dos 60 mil euros. A CP já teve também o Comboio do Vinho do Porto, que circulou no Douro, mas que se encontra agora semi-abandonado em Contumil.

Fonte: Público