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quinta-feira, 9 de março de 2017

Estudo defende linha do Douro como alternativa à Beira Alta para ligação a Espanha


Reabrir a linha do Douro até Barca d’Alva custa apenas 43 milhões de euros, mas são necessários mais 119 milhões do lado espanhol. Investimento é justificado pelo turismo, pelo minério de Moncorvo e por colocar o porto de Leixões mais perto de Espanha.
Um estudo da Infraestruturas de Portugal, a que o PÚBLICO teve acesso, dá por adquiridos os investimentos já previstos pela empresa para a linha do Douro e que contemplam a eletrificação até à Régua, mas acrescenta-lhes a prossecução da modernização até ao Pocinho e a reabertura da parte restante até Barca d’Alva, que foi encerrada em 1988.
Mais: o estudo da gestora de infraestruturas abrange também o troço espanhol desde Barca d’Alva até La Fuente de San Esteban (a 57 quilómetros de Salamanca), onde passa a linha internacional de Vilar Formoso para o País Basco e França.
Do lado português, reconstruir os 28 quilómetros da linha Pocinho – Barca d’Alva custa 43 milhões incluindo a sua eletrificação (ou 30 milhões se não for eletrificada) e do lado espanhol o investimento estimado situa-se entre os 87 e os 119 milhões de euros, consoante a linha seja para comboios a diesel ou elétricos. Para ambos os troços há a possibilidade de obter fundos comunitários ao abrigo do programa comunitário Interreg.
Para fundamentar estes investimentos, o documento refere que “a reativação da ligação internacional permite enquadrar a linha do Douro entre dois importantes polos geradores de tráfego e dotados de infraestruturas de transporte relevantes”: o aeroporto Francisco Sá Carneiro e o terminal de passageiros de Leixões de um lado, e a estação de Alta Velocidade de Salamanca. Entre estes pontos “surge um eixo turístico de excelência, constituído por quatro destinos classificados pela UNESCO como Património da Humanidade: Porto, Douro Vinhateiro, Gravuras Rupestres do Vale do Côa e Salamanca”.
Nos últimos anos tem vindo a crescer a procura de passageiros na linha do Douro para fins turísticos, a par da dos cruzeiros fluviais, que não se limitam à Régua, seguindo também a Barca d’Alva.
No que toca às mercadorias, a Infraestruturas de Portugal refere o potencial deste corredor ferroviário para o escoamento do minério de Moncorvo, não só para Leixões (como está previsto), mas também para as plataformas industriais e logísticas de Castela-Léon através de Barca d’Alva.
O estudo apresenta ainda a abertura desta ligação internacional como a melhor solução para as mercadorias do porto de Leixões chegarem a Espanha e à Europa, dado que encurta a viagem (de ida e volta) em menos 220 quilómetros do que pela linha da Beira Alta. Uma solução que tem ainda a vantagem de evitar fazer passar o tráfego de mercadorias de Leixões pelo sobrecarregado troço Ovar – Gaia na linha do Norte.
O plano de investimentos ferroviários apresentado em Fevereiro do ano passado prevê, no entanto, a construção de uma linha nova entre Aveiro e Mangualde que custa 677 milhões de euros. O projeto foi chumbado por Bruxelas porque a análise custo-benefício era negativa, mas o governo vai voltar a candidatá-lo a fundos comunitários. 
Aplauso autárquico
“Do ponto de vista comercial [a reabertura da linha] seria absolutamente extraordinário”. Carlos Guerra, consultor da MTI – Ferro de Moncorvo, não poupa nos adjetivos: “seria fabuloso porque há grandes siderurgias espanholas no norte de Espanha, nomeadamente em Gijón, e isso permitia-nos escoar o minério por um caminho mais curto”.
A empresa que tem a concessão das minas de Moncorvo tem previsto transportar parte do minério por comboio até Leixões e, para já, estando apenas prevista a eletrificação da via férrea até à Régua, Carlos Guerra diz que já veria com bons olhos que a modernização prosseguisse até ao Pocinho.
Gustavo Duarte, presidente da Câmara de Foz Côa, diz que concorda plenamente com as premissas deste estudo da Infraestruturas de Portugal, até porque o seu concelho é o único no país que tem dois patrimónios da UNESCO: o Douro Vinhateiro e as gravuras rupestres. Acrescenta-lhe o Centro de Alto Rendimento do Remo e de Canoagem do Pocinho, “que é considerado um dos melhores do mundo” e que só ganharia com uma maior acessibilidade. “A reabertura da linha seria a cereja em cima do bolo para esta região”, disse ao PÚBLICO, acrescentando que tem insistido junto de vários governos e em reuniões com espanhóis que se alocassem fundos do programa Interreg para este projeto transfronteiriço.
Em sintonia, está, naturalmente, o diretor do Museu de Foz Côa, Martinho Baptista. “Sempre defendi a reabertura desta linha que passa mesmo em frente ao museu e onde há ainda a antiga estação. Para nós haveria todo o interesse pois permitia-nos receber mais visitantes do Porto e de Espanha”, disse.
Matilde Costa, em representação da Barcadouro, Rota do Douro e Tomaz do Douro (empresas especializadas em cruzeiros de um dia no rio Douro) recorda que já em 2009 houve uma “assinatura festiva” de um protocolo entre a Estrutura de Missão do Douro, a Refer, a CP a CCDRN e o IPTM na presença da atual ministra do Mar, Ana Paula Vitorino, à data secretária de Estado dos Transportes. O objetivo era reativar a linha do Pocinho a Barca d’Alva, “mas não passou das boas intenções”.
No entanto, considera que um tal projeto deve ser “viabilizado pela Infraestruturas de Portugal e pelo governo como medida estruturante para a região”.
A Douro Azul, o principal operador turístico fluvial do Douro, não quis prestar declarações ao PÚBLICO.
Contactada a Medway (antiga CP Carga), fonte oficial da empresa respondeu que “obviamente, tudo quanto seja criar facilidades de comunicação ferroviária, leia-se infraestruturas, com Espanha, merece o apoio da Medway, na medida em que potencia o seu negócio”.
Mas o mesmo não respondeu a sua concorrente Takargo. “Na perspectiva pura das mercadorias, haveria que verificar quais os tráfegos que utilizariam esta saída para Espanha”, diz Miguel Lisboa, daquela empresa. “E haveria que ver se há alguma expectativa de reabertura do lado espanhol porque sem continuidade do outro lado, isto não faz sentido”. O administrador diz que, para o seu negócio, é mais importante que se façam de vez as obras de modernização das linhas do Minho e da Beira Alta e se construa o Évora – Caia.

Levar o suburbano a Amarante

Enquanto ramal da linha da Douro, o troço de 13 quilómetros de via estreita entre Livração (concelho de Marco de Canavezes) e Amarante, foi também alvo de um estudo sumário com vista à sua reconversão em via larga e inserção na rede de suburbanos do Porto.
Aquela linha foi encerrada em 2009 para ser reabilitada, mas as obras nunca tiveram início, ficando a infraestrutura abandonada. O documento da Infraestruturas de Portugal diz que “a reconversão em via larga do troço Livração – Amarante não apresenta grandes dificuldades técnicas e permite encurtar a distância para cerca de 10 quilómetros”. Obriga, no entanto, à construção de 750 metros de túneis e 250 metros de viadutos, bem como de uma nova estação na cidade. O investimento previsto é de 37,5 milhões.
Um outro antigo ramal de via estreita foi também objeto de atenção prospetiva. Parte da velha linha do Sabor, entre Pocinho e Carvalhal (23 quilómetros) poderá ser reconstruída para transporte de minério das minas de Moncorvo, ligando-se assim diretamente à linha do Douro. O documento refere que a baixa velocidade ali permitida devido à sinuosidade do traçado não é um problema porque se destinaria a comboios de mercadorias. E que a própria pendente (naquele troço a linha sobe do nível do rio Douro ao planalto mirandês) também não o é visto que os comboios subiriam vazios e desceriam carregados. Trinta milhões de euros é o investimento estimado, necessariamente comparticipado pelas próprias minas de Moncorvo.

Fonte: Público


segunda-feira, 2 de julho de 2012

Novo projeto CT - 2012


1. Introdução
Este projeto começou com a nostalgia de um Flaviense que teve a alegria e o prazer de poder viajar nas linhas do Corgo e do Tua, antes destas belas linhas ferroviárias, de via estreita transmontanas, terem sido encerradas. Nenhuma alma flaviense consegue ficar indiferente quando percorre o trajeto da antiga linha do Corgo à procura dos vestígios do que ainda resta desse passado glorioso. O mesmo sucede quando visitamos os despojos da Linha do Tua em Abreiro e em Mirandela.  
Quem não recorda o passado quando estes comboios circulavam cheios de passageiros ao longo das linhas transmontanas?
Quem não guarda na memória a imagem de sair na estação de Peso da Régua, do comboio procedente do Porto e apanhar o comboio para Chaves... Esta mudança de comboio tinha de ser rápida para conseguir um lugar à janela. Eram muitas as pessoas que seguiam no comboio para Chaves. O comboio andava sempre cheio até Vila Pouca de Aguiar. Após esta estação era possível arranjar algum espaço livre.
Quem não se lembra de ver a estação de Vidago cheia de gente…
O que mais revolta em tudo isto é a passividade dos autarcas transmontanos sobre o encerramento das Linhas Transmontanas. Todos gostam de falar de regionalização, mas não seriam as Linhas Transmontanas, a bandeira mais emblemática de afirmação dessa regionalização?!
Qualquer região europeia com autonomia regional, tem como principal premissa e preocupação, o estabelecer de vias de comunicação entre os municípios da sua região. O comboio é hoje, a melhor aposta que tem vindo a ser seguida na Europa. Vejam os vários exemplos da nossa vizinha Espanha, que está a modernizar todas as suas vias estreitas, não só para turismo, mas também para o transporte diário de passageiros. A exploração turística que faz dessas vias-férreas é uma das formas de financiamento encontradas para manter abertas essas linhas ao transporte de passageiros. Mas o que realmente faz dessa exploração um sucesso, é oferta de um serviço de qualidade, com uma boa oferta de horários e com comboios modernos, que para além do conforto que oferecem, conseguem uma maior rapidez nas viagens entre as localidades.
Quando em 2010 iniciámos o projeto CT – Comboios Transmontanos S.A. confinámo-lo praticamente aos traçados já existentes, construindo apenas alguns novos ramais. Após termos aprofundando a nossa análise sobre o projeto da FEVE, fonte de inspiração para o projeto CT e juntamente com os contributos que fomos recebendo, alargamos o campo de exploração do projeto CT a todas as linhas de via estreita em Portugal, passíveis de exploração. Contudo, com a atual conjuntura económica, achamos melhor restringir o projeto CT às linhas transmontanas. Contudo, conseguimos encontrar uma forma de melhorar os resultados de exploração das linhas transmontanas com a construção de uma nova linha, a Linha de Braga, que ligará a Linha do Corgo à cidade de Braga, passando por Fafe e Guimarães. Com esta nova linha conseguimos finalmente ligar diretamente, por via ferroviária, as cidades de Guimarães e Braga. Além disso, voltamos a colocar no mapa ferroviário a cidade de Fafe. O traçado desta nova linha, utilizará parte do traçado da antiga Linha Guimarães (via estreita).
Com a Linha de Braga conseguimos ligações mais rápidas aos comboios Alfa Pendular com destino a Lisboa com partida de Braga e/ou Guimarães. Conseguindo criar horários que permitem que no mesmo dia, se possa ir e voltar, de Bragança e/ou Chaves a Lisboa.
A ligação das cidades de Braga e Guimarães por via-férrea, irá ser uma das mais-valias financeiras deste projeto.
Além disso, propormos a reativação do troço entre Pocinho e Barca d’Alva em via estreita, ligando assim este troço à linha do Sabor. Esta ligação irá permitir a circulação de um comboio turístico, o Transmontano Express entre Régua e Barca d’Alva, circulando ao longo das linhas do Corgo, Tua e Sabor. Para que esta circulação seja possível, irão ser construídos 2 ramais que vão permitir a ligação entre a Linha do Corgo com a Linha do Tua e a ligação entre a Linha do Tua com a Linha do Sabor.
Assim, defendemos que a CT - Comboios Transmontanos S.A. fique responsável pela gestão das linhas do Tâmega, Corgo, Tua, Sabor, Braga, Ramal de Valpaços (ligação da Linha do Corgo à Linha do Tua) e Ramal de Vimioso (ligação da Linha do Tua à Linha do Sabor). Com estes ramais é possível fazer uma gestão integrada de todas as linhas, permitindo a viabilidade do projeto.
Este projeto é pragmático sobre a questão da barragem da EDP e a consequente submersão de parte da Linha do Tua, por isso, defendemos a utilização da Linha do Tua apenas entre Abreiro (ou Brunheda) e Bragança, ficando assegurada a ligação à Linha do Douro através da Linha do Corgo e da Linha do Sabor, com a construção dos novos troços. Contudo, estamos disponíveis para prolongar a Linha do Tua para além de Abreiro até ao local onde vai ser construído o ancoradouro dos barcos do projeto da EDP.
Para além do transporte de passageiros, este projeto está preparado para gerir o transporte de mercadorias. Grande parte das estações foi redimensionada para receber comboios de mercadorias, estando previsto a construção de terminais de mercadorias.
Com a reabertura da Linha do Douro entre Pocinho e Barca D’Alva permitirá ao Transmontano Express (a nossa aposta no turismo ferroviário) explorar possíveis parcerias com as empresas que exploram as viagens fluviais ao longo do Rio Douro até Barca D’Alva, oferecendo uma viagem num comboio especial focado para a vertente turística. Esta viagem iria percorrer os traçados das várias linhas transmontanas, desde Barca D’Alva até à Régua. Para valorizar ainda mais o projeto do Transmontano Express defendemos a transformação em Pousada da estação de Barca D’Alva. Desta forma irá permitir oferecer pacotes turísticos ainda mais interessantes, conjugando a estadia com viagens de barco e de comboio.
As viagens do Transmontano Express podem ser associadas a outras parcerias regionais ao longo das várias localidades transmontanos por onde passa.
O projeto CT propõe a construção de 240 km de via-férrea e a reposição/modernização de 429 km. No total estamos a falar de 669 km de via-férrea. È o maior projeto ferroviário de via estreita alguma vez apresentado em Portugal, desde o início da construção das primeiras linhas de caminhos-de-ferro em Portugal.
Está na altura de Portugal deixar de construir mais autoestradas e apostar finalmente naquilo que já deveria ter feito nos anos 80: modernizar e construir novas linhas de caminhos-de-ferro para transporte de passageiros e mercadorias. Se essa aposta tivesse sido feita no passado, com toda a certeza a atual conjuntura económica Portuguesa poderia ser outra. Estamos a pagar hoje pelos erros acumulados nas últimas 3 décadas. Não percamos mais tempo.
O projeto CT tem inúmeras vantagens para as populações servidas, tornando ainda mais apetecível o transporte ferroviário na atual conjuntura de crise económica.
O projeto CT foi melhorando em relação ao projeto inicial, graças aos contributos que fomos recebendo. Introduzimos algumas ideias novas, com o objectivo de tornar o projeto CT um projeto financeiramente rentável, para que possa ser um produto apetecível aos investidores privados. Deixámos de acreditar no estado português (governo e autarquias) como os principais acionista deste projeto. Além disso, queremos também demonstrar a exequibilidade de um grande projeto no sector ferroviário através da iniciativa privada.
É bom para a economia Portuguesa que mais projetos privados apareçam neste sector. Não podemos estar sempre à espera da moleta ou dos subsídios estatais. A conjuntura atual da economia Portuguesa poderia ser outra, se a nossa economia não fosse demasiada dependente do estado e se este não estivesse demasiado presente. Quanto maior for o “comboio” do estado na economia, mais impostos somos obrigados a pagar e menos financiamento fica disponível para os verdadeiros investidores, criadores de riqueza.
Por isso defendemos a abertura de um concurso para a concessão da exploração das linhas transmontanas por um prazo nunca inferior a 50 anos, onde o estado cede todas as infraestruturas existentes à futura concessionária, sem qualquer custo para esta. Em contrapartida, a concessionária terá de modernizar todas as linhas transmontanas e assegurar tarifas sociais. A concessão é renovável por períodos idênticos, caso o estado não pretenda renovar a concessão terá de reembolsar todas as mais-valias que a concessionária efetuou às infraestruturas das linhas, acrescidas de juros comercias à taxa em vigor.
O Estado concederá a DUP à concessionária para possa fazer todas as expropriações que achar necessárias, incluindo a prioridade do traçado ferroviária em relação às estradas nacionais.
Esperamos que o nosso trabalho esteja bem elaborado para que os eventuais investidores apareçam para financiar este projeto, tendo como garantia o retorno do seu investimento.

aqui o novo projeto CT ou podes transferir o ficheiro para o teu computador.