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terça-feira, 2 de abril de 2019

Bruxelas atribui 119 milhões a Portugal para renovar linha ferroviária do norte


Em causa está, assim, a modernização do troço Ovar-Gaia da linha do norte, “que faz parte da rede transeuropeia de transportes”, assinala Bruxelas.
A Comissão Europeia vai atribuir 119 milhões de euros a Portugal para renovação da linha ferroviária do norte, no troço Ovar-Gaia, verba que provém dos fundos da política de coesão e se destina a criar “maior conforto e segurança”.
Segundo a informação hoje divulgada pelo executivo comunitário, com estes fundos da União Europeia (UE) “os passageiros beneficiarão de um tempo de viagem mais curto, maior conforto e maior segurança neste eixo”.
Em causa está, assim, a modernização do troço Ovar-Gaia da linha do norte, “que faz parte da rede transeuropeia de transportes”, assinala Bruxelas.
Ao todo, a Comissão Europeia vai atribuir quatro mil milhões de euros, no âmbito da política de coesão, a 25 grandes projetos de infraestruturas em 10 Estados-membros.
Além de Portugal, os beneficiários são a Bulgária, a República Checa, a Alemanha, a Grécia, a Hungria, a Itália, a Malta, a Polónia e a Roménia.
“Os projetos abrangem uma vasta gama de domínios: saúde, transportes, investigação, ambiente e energia”, nota Bruxelas, adiantando que, com o cofinanciamento nacional, o investimento total nestes projetos ascende a oito mil milhões de euros.





sexta-feira, 29 de março de 2019

CP acaba com comboio turístico na linha do Douro.


As viagens no Comboio Miradouro, na linha do Douro, vão acabar. A CP diz que "o mercado não terá valorizado" estas carruagens suíças e que, além disso, o comboio "gera prejuízo".
Dois anos depois de terem sido criadas, as viagens no comboio turístico do Douro vão acabar. A decisão de descontinuar o Comboio Miradouro, formado por carruagens suíças dos anos 50, tem a ver com a falta de rentabilidade do serviço e a pouca valorização dada pelos viajantes, justifica a CP – Comboios de Portugal.
“A CP constatou que a procura, na linha do Douro, continuou a concentrar-se nos comboios realizados com Automotoras UTD 592, indicando que o mercado não terá valorizado o Comboio Miradouro”, disse fonte oficial da CP ao Público (acesso condicionado). “Mesmo considerando um cenário de lotação completa, este comboio gera prejuízo para a CP, dada a logística necessária à sua produção”.
Assim, a CP vai uniformizar a oferta no Douro com as automotoras espanholas alugadas à Renfe, que dispõem de ar condicionado (contrariamente ao comboio Miradouro), mas que não permitem desfrutar da paisagem através dos espaços amplos e das janelas, o principal motivo de atração de clientes no verão.
“As automotoras 592 garantem menores custos produtivos, melhor resultado económico, menor consumo energético e menor consumo de recursos humanos, pelo que é a solução que mais contribui para criar valor económico para a CP”, explicou a empresa.
O presidente da Câmara da Régua disse ao Público que desconhecia esta decisão e que vai questionar a empresa. “Tenho a lamentar que acabem com este comboio porque era mais valor acrescentado para o turismo do Douro, que ainda por cima está a crescer”, disse, acrescentando que “é mais uma vez o interior do país a ficar penalizado”.
Já Luís Pedro Martins, presidente do Turismo do Porto e Norte, ressalva a elevada procura por transportes públicos dos turistas que visitam o Douro e diz não compreender esta decisão. “Tenho sérias dúvidas sobre o argumento da CP de que o comboio não é rentável”, afirmou, justificando que a região recebe cerca de 4,3 milhões de turistas por ano, 75% deles na zona do Porto e que o Comboio Miradouro permite o transporte para o interior, mas também uma experiência diferente de viagem.
Esta decisão é também considerada um “erro do ponto de vista comercial” por António Brancanes dos Reis, presidente da Associação Portuguesa dos Amigos dos Caminhos-de-ferro (APAC). “Este comboio tem tido enorme adesão do público porque as carruagens Schindler proporcionam ao público desfrutar da paisagem do Douro pela possibilidade de abertura das janelas, e porque os próprios horários permitiam que fosse utilizado pelos turistas para um passeio com almoço na Régua ou no Pinhão”.

Fonte: Eco Sapo

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Tentativa de venda de comboio histórico da CP suscita escândalo e boicote na Europa

Federação Europeia de Caminhos-de-Ferro Turísticos apelou a museus para não comprarem comboio de via estreita estacionado na Régua, em nome da defesa do património português.

CP tentou vender junto de museus ferroviários europeus o comboio histórico de via estreita estacionado na Régua, mas a Federação Europeia das Associações de Caminhos-de-Ferro Turísticos (Fedecrail) boicotou essa tentativa, pedindo aos museus que renunciassem à compra, mesmo que estivessem interessados.

"Essa proposta pareceu-nos escandalosa, porque o material em via métrica português é raro e é uma composição que está em bom estado", disse ao PÚBLICO Jacques Daffis, vice-presidente da Fedecrail, que tomou a iniciativa de informar o Museu Nacional Ferroviário português, que desconhecia esta tentativa de venda por parte da CP. "O que é incrível é que a CP tenha proposto a sua venda sem informar previamente o museu português", disse, explicando que a posição da Fedecrail é de que o património deste tipo só deve ser vendido ao estrangeiro "se não houver nenhuma possibilidade de preservação no país de origem e/ou se estiver em perigo".

A tentativa de venda partiu da CP Frota, a unidade de negócios que gere o material circulante, através de um email muito informal, datado de 9 de Novembro e enviado para museus ferroviários europeus, no qual até se propunha que fossem estes a avançar com uma proposta de preço.

Contactada a CP, a porta-voz da empresa explicou que se trata de um comboio que está em condições operacionais (em 2005 ainda circulou na Linha do Corgo), mas que não tem agora utilização possível em Portugal, com o fim anunciado da Linha do Vouga, que é a última linha de via estreita em funcionamento no país. "Podendo haver interesse por alguma companhia ferroviária na sua colocação ao serviço para fins turísticos, a CP fez uma primeira auscultação do mercado para verificar a existência de eventuais interessados", disse a mesma fonte. A CP mantém, por isso, o interesse na venda, mas admite agora que "será dada preferência ao Museu Nacional Ferroviário, caso este tenha disponibilidade" para o comprar.

Esta posição oficial da CP surpreendeu o presidente da Fundação do Museu Nacional Ferroviário, Júlio Arroja, que tinha pedido à CP para que houvesse uma "cedência" (e não uma venda) daquele material circulante ao museu. "Foi feito um pedido à administração da CP e creio que o assunto está bem encaminhado", disse ao PÚBLICO.

É que, embora tenha sede no Entroncamento, o Museu Nacional Ferroviário tem secções museológicas em todo o país e existe precisamente um projecto para Macinhata do Vouga (Águeda). Este projecto consiste na requalificação do complexo ferroviária daquela estação, para albergar ali o comboio histórico e poder vir a dar-lhe utilização, com passeios turísticos entre Aveiro, Águeda e Sernada do Vouga. Um projecto que agora fica no limbo, com o encerramento da Linha do Vouga.

Material do início do séc. XX
O comboio histórico de via estreita em causa é composto por uma locomotiva a vapor fabricada na Alemanha em 1923 e enviada para Portugal a título de indemnização da I Grande Guerra. Esta máquina prestou serviço em praticamente todas as linhas de via estreita do país e está ainda operacional. A composição pode também ser rebocada por uma locomotiva a diesel de 1964, fabricada em Espanha, e comprada pela CP em segunda mão nos anos setenta.

Além de um furgão em madeira de 1925 e de um vagão-cisterna, a composição inclui uma carruagem de origem belga de 1908, outra fabricada na Alemanha em 1925 e ainda uma outra construída pelos então Caminhos de Ferro do Estado, nas oficinas do Porto, em 1913. O conjunto constitui um acervo único em Portugal e raro na Europa, que deve ser preservado, "de preferência no país de origem", refere Jacques Daffis.

Comboios turísticos
Apesar de residual em Portugal, a exploração de comboios turísticos e dos museus ferroviários a que estes estão associados constituem uma actividade que só em três países europeus – Alemanha, Reino Unido e França – emprega 3812 pessoas e factura anualmente 174 milhões de euros.A Fedecrail – Federação Europeia dos Caminhos-de-Ferro Turísticos e Históricos é um organização de direito belga que congrega 616 membros de 27 países e que tem por missão a coordenação de todos os caminhos-de-ferro históricos e dos museus que se ocupam da sua conservação, bem como da protecção do material circulante que lhes está associado.

Em Portugal, o único comboio histórico em funcionamento é o do Douro, entre a Régua e o Pinhão, que só circula no período de Verão. A CP ameaça acabar com ele, se não aparecer qualquer entidade disposta a assumir-se como parceira de exploração do comboio que este ano registou prejuízos da ordem dos 60 mil euros. A CP já teve também o Comboio do Vinho do Porto, que circulou no Douro, mas que se encontra agora semi-abandonado em Contumil.

Fonte: Público

terça-feira, 29 de novembro de 2011

CP admite acabar com comboio histórico no Douro, se não encontrar parceiros



A CP está à procura de "entidades públicas ou privadas" que possam ser suas parceiras na exploração do comboio histórico do Douro, para minimizar os prejuízos que tem tido naquele serviço e que a empresa diz não poder mais suportar. "Caso esta solução [parcerias] não seja viável, está efectivamente em causa a sua continuidade", disse ao PÚBLICO fonte oficial da empresa.

No Verão passado o resultado de exploração deste comboio a vapor, que durante a época alta faz viagens entre a Régua e o Pinhão, foi de 60 mil euros negativos. Um resultado bastante melhor do que o de 2010, em que o prejuízo foi de 110 mil euros. A CP diz que tal se deveu a um grande esforço para reduzir custos "sem prejudicar a qualidade e atractividade do produto". Este ano o comboio histórico teve custos de 150 mil euros e receitas de 90 mil euros.

A transportadora pública diz que tem tido como parceiros neste negócio o Hotel Douro Palace, a Cenários do Douro, Vintage House, Aquapura Valey, ACP e Régua Douro, mas que "estas parcerias não representam envolvimento nos custos, mas apenas vantagens comerciais para os clientes". Este ano viajaram no comboio histórico 2270 pessoas, o que representa uma média de 206 passageiros por comboio realizado (a capacidade total de é de 250). Uma taxa de ocupação de 82 por cento que, curiosamente, é superior à da média do serviço regional da empresa.

No ano passado este serviço teve 1639 passageiros, a que corresponde uma média de 149 passageiros por comboio. Isto até significa que a procura tem vindo a aumentar e que os prejuízos têm vindo a diminuir, mas a empresa - que, no âmbito do acordo com a troika, está sujeita a uma forte pressão para reduzir custos devido ao défice das empresas públicas de transportes - diz que fazer serviços turísticos não é a sua vocação. Mas não tem dúvidas acerca do "inquestionável valor histórico e turístico deste produto, em particular para a região do Douro" .

A maioria dos clientes deste comboio são de Lisboa e Porto e, entre os passageiros estrangeiros, destacam-se os ingleses, franceses e espanhóis. Alguns vêm integrados em circuitos turísticos no Douro e outros vêm por conta própria. Um inquérito da CP revela que o leque de idades se situa entre os 26 e os 65 anos, "com uma distribuição percentual quase equitativa nas várias faixas etárias, o que prova a atractibilidade e transversabilidade do produto".

No Verão passado o resultado de exploração deste comboio a vapor, que durante a época alta faz viagens entre a Régua e o Pinhão, foi de 60 mil euros negativos. Um resultado bastante melhor do que o de 2010, em que o prejuízo foi de 110 mil euros. A CP diz que tal se deveu a um grande esforço para reduzir custos "sem prejudicar a qualidade e atractividade do produto". Este ano o comboio histórico teve custos de 150 mil euros e receitas de 90 mil euros.

A transportadora pública diz que tem tido como parceiros neste negócio o Hotel Douro Palace, a Cenários do Douro, Vintage House, Aquapura Valey, ACP e Régua Douro, mas que "estas parcerias não representam envolvimento nos custos, mas apenas vantagens comerciais para os clientes". Este ano viajaram no comboio histórico 2270 pessoas, o que representa uma média de 206 passageiros por comboio realizado (a capacidade total de é de 250). Uma taxa de ocupação de 82 por cento que, curiosamente, é superior à da média do serviço regional da empresa.

No ano passado este serviço teve 1639 passageiros, a que corresponde uma média de 149 passageiros por comboio. Isto até significa que a procura tem vindo a aumentar e que os prejuízos têm vindo a diminuir, mas a empresa - que, no âmbito do acordo com a troika, está sujeita a uma forte pressão para reduzir custos devido ao défice das empresas públicas de transportes - diz que fazer serviços turísticos não é a sua vocação. Mas não tem dúvidas acerca do "inquestionável valor histórico e turístico deste produto, em particular para a região do Douro" .

A maioria dos clientes deste comboio são de Lisboa e Porto e, entre os passageiros estrangeiros, destacam-se os ingleses, franceses e espanhóis. Alguns vêm integrados em circuitos turísticos no Douro e outros vêm por conta própria. Um inquérito da CP revela que o leque de idades se situa entre os 26 e os 65 anos, "com uma distribuição percentual quase equitativa nas várias faixas etárias, o que prova a atractibilidade e transversabilidade do produto".

Material à venda
O comboio a vapor do Douro é composto pela locomotiva a vapor 0187, que foi construída na Alemanha em 1923 e enviada para Portugal como indemnização da I Grande Guerra. Alimentada a carvão, esta máquina reboca três carruagens de madeira dos anos 20 do século passado, construídas nas oficinas da Figueira da Foz e que pertenceram à Companhia dos Caminhos de Ferro da Beira Alta. Uma das razões que encarece o custo deste serviço é a obrigatoriedade de, atrás da composição, seguir uma dresina com pessoal da Refer e bombeiros que verificam se há algum indício de incêndio nas imediações da via férrea. Um cuidado que não existiu durante os mais de cem anos em que na linha do Douro só existia tracção a vapor.

A CP admite também vender o comboio histórico de via estreita que está parqueado na Régua e que chegou a fazer algumas excursões na linha do Corgo até Vila Real. A última realizou-se em 2005 e a empresa está agora a procurar interessados que possam adquirir a composição (composta por uma máquina a diesel e carruagens históricas). O PÚBLICO perguntou à CP de que forma seria este material posto à venda e por que motivo não integraria este o espólio do Museu Nacional Ferroviário, mas a empresa não respondeu a esta questão.

As reacções
Considerando os valores financeiros em causa, absolutamente simbólicos para a realidade da CP, a Estrutura de Missão do Douro considera "criticável" a opção de encerramento do serviço do comboio histórico no Douro. "Esta decisão, a confirmar-se, não acompanha de todo a aposta que se faz hoje no desenvolvimento turístico da região, nem respeita o seu estatuto de Património da Humanidade.

Um destino como o Douro justifica, perfeitamente, um investimento desta diminuta dimensão", disse ao PÚBLICO o responsável por esta estrutura, Ricardo Magalhães. "Trata-se de manter um serviço que é um recurso importante na atractividade turística e no conhecimento do rio e da paisagem classificada. Até no plano económico, esta decisão é incompreensível. Pelo que se conhece, o prejuízo do serviço vem diminuindo drasticamente e o retorno que deixa na região será certamente superior ao seu custo", assinala.

Fonte: Público

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Transdev quer concessões da Carris, CP, STCP e Metro de Lisboa


Empresa garante que irá manter os trabalhadores que estão afectos à área operacional das unidades que forem colocadas a concurso.

A francesa Veolia Transdev tem interesse em concorrer a todas as concessões na área dos transportes que sejam abertas aos privados nos próximos tempos.

"Estamos disponíveis. São todos 'core' para nós [as linhas de transportes públicos que deverão ser concessionadas]" afirmou Pires da Fonseca, administrador-delegado do grupo, ao Negócios.

O responsável refere-se, em concreto, a negócios da CP, Carris, STCP e Metro de Lisboa.

Fonte: Jornal de Negócios

segunda-feira, 4 de julho de 2011

O fecho das linhas da CP não é o fim, mas sim o princípio.


Hoje, foi noticiado que a ligação ferroviária da CP a Vigo dá prejuízos (fonte: Diário de Notícias). Esta situação não é de espantar, quando uma viagem de Porto a Vigo demora mais de 3 horas. Lemos e visionámos várias reportagens com muita gente a reclamar, sobre o encerramento da linha para além de Valença, mas não vimos ninguém a propor soluções financeiramente viáveis. Além disso, ninguém questionou porque é que é a Renfe não faz ela própria a ligação a partir de Valença… era só atravessar a ponte… Para nós, infelizmente, não é de espantar este tipo de posições das entidades governativas espanholas e galegas. 

A mentalidade Portuguesa terá de mudar em relação aos serviços prestados pelo Estado Português, na área dos transportes. Não vai ser possível manter toda a nossa rede ferroviária em funcionamento no próximo ano. Muitas mais linhas vão fechar. Isto não é o fim, mas sim o princípio de uma nova realidade. É uma oportunidade para quem defende a viabilidade financeira de uma linha, apresentar os seus projectos para uma exploração privada da mesma.
Nos próximos tempos vão surgir diversas oportunidades de negócio, que com o espírito criativo e inovador dos Portugueses, acreditamos que vão singrar. Os Portugueses foram mal habituados desde de pequenos, quando foi incutida a ideia de que o Estado tem sempre de fazer tudo. A iniciativa privada não é nenhum papão. Por todo o mundo há vários projectos de sucesso de exploração privada de linhas ferroviárias e pela primeira vez na história ferroviária Portuguesa, temos um governo aberto à iniciativa privada para explorar este sector.

A equipa da CT encara tudo isto como um desafio a todos que amam, gostam e defendem a rede ferroviária portuguesa para desenvolverem as suas ideias e não terem medo de as apresentar ao “mundo”. Foi isso que fizemos. Não há que ter medo das críticas ou das “bocas” dos invejosos. Nós encaramos todas as críticas como construtivas e como elemento determinante para evoluir e melhorar o projecto. Quem acompanhou a nossa evolução, pode observar o desenvolvimento que este projecto teve desde o seu esboço inicial. Quanto às “bocas” dos invejosos, só nos dão mais força para melhorar e evoluir.
Para tudo isto é preciso trabalho. Muito trabalho. Podemos dizer que toda a nossa equipa e amigos já despenderam milhares de horas no Projecto CT, mas até agora não houve ninguém que desse por perdido um segundo despendido das nossas vidas. Talvez seja essa a nossa missão ou seja este “O Sentido da Vida”.

Contamos contigo!

quinta-feira, 17 de março de 2011

Voluntários limpam linha desactivada

Cerca de 30 voluntários portugueses e espanhóis iniciaram ontem a limpeza de um troço da linha de caminho-de-ferro que liga as estações de Fuentes de San Esteban (Espanha) e o Pocinho (Vila Nova de Foz Côa). Esta primeira intervenção, levada a efeito pela Associação transfronteiriça Todavia, teve início na localidade de Lumbrales (Espanha), estando programada a conclusão dos trabalhos de limpeza e desobstrução da via para o próximo mês de Abril.

Os defensores da ferrovia do Douro, que fazia a ligação entre o Porto e Salamanca, garantem que apenas querem "actuar em defesa do património ferroviário". A ideia passa por abranger todo o traçado da linha entre Fuentes de San Esteban – Lumbrales – Barca d’Alva – Pocinho – Estação do Côa, de modo a que estes troços possam passar para as mãos de pequenas empresas ou associações, que façam a sua exploração e manutenção.



quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

O caso do fecho de linhas férreas no Alentejo ou O triunfo do automóvel

Numa entrevista dada há alguns meses ao Jornal das Caldas, o presidente da CP, José Benoliel, interrogava-se sobre se relativamente a várias linhas férreas com procura reduzida em Portugal o transporte público rodoviário não seria o mais adequado para garantir a acessibilidade das populações por elas servidas.

Meses depois, encerrou ao tráfego nacional de passageiros mais uma linha no Alentejo (o Ramal de Cáceres) e o plano da CP para 2011 prevê o encerramento de mais uma, com o que ficará a sobrar, como ferrovia da região aberta ao transporte de passageiros, o que resta da Linha de Évora, o que resta da Linha do Alentejo e a Linha do Leste.

Aquele tipo de argumentação não é novo: há duas décadas, serviu de base à supressão do serviço ferroviário de passageiros em inúmeras linhas férreas portuguesas, entre as quais a maior parte das linhas alentejanas. A maior região portuguesa (que ocupa mais de um terço do território continental) ficou reduzida a uma oferta ferroviária mínima.

Passando-se por cima da enorme degradação do serviço prestado, dizia-se, há duas décadas, que o despovoamento crescente desta região conduzia naturalmente a um esvaziamento da procura do transporte ferroviário, que teria deixado de constituir um modo de transporte adequado para a nova realidade alentejana: o despovoamento e a consequente diminuição do fluxo de passageiros na região tornariam muito mais adequado o autocarro e, portanto, havia que substituir a oferta do obsoleto transporte público ferroviário pelo transporte público rodoviário, que deixaria as populações mais bem servidas.

Várias linhas férreas (ou troços de linhas) foram encerradas ao tráfego de passageiros no Alentejo interior em 1 de Janeiro de 1990: o Ramal de Portalegre (Portalegre – Estremoz), a Linha de Évora (troço Évora – Estremoz – Borba – Vila Viçosa), o Ramal de Reguengos de Monsaraz (Évora – Reguengos de Monsaraz), o Ramal de Moura (Beja – Serpa – Moura), o Ramal de Mora (Évora – Arraiolos – Mora) e o Ramal de Montemor-o-Novo (que permitia a ligação desta cidade às de Évora e de Beja e à restante rede)
[Acresceu, no Alentejo litoral, o encerramento do Ramal de Sines (que servia as cidades de Sines e de Santiago do Cacém) e ainda a supressão do serviço no Ramal de Vendas Novas, este servindo também o Ribatejo].

O fecho do serviço ferroviário foi, em todos os casos, acompanhado da implementação de um serviço de transporte rodoviário alternativo – que, todavia, duraria muito pouco tempo, tendo sido rapidamente abandonado.




quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Descubra Portugal enquanto há comboio

A CP é uma empresa surpreendente. Convida-nos, através de spots publicitários, a dar "uma escapadela com amigos e descobrir Portugal de comboio", como competente agência de turismo. E, ao mesmo tempo, continua a fechar linhas. Uma a uma, sem complacências a ajudar ao despovoamento.

Apresse-se, pois, se tenciona responder ao desafio da ferroviária portuguesa e partir à conquista do país ao som do pouca-terra, pouca-terra. Tanta é a pressa de excluir troços ferroviários que o gestor do site da CP, por certo, dificilmente acompanhará o ritmo. Na página online da companhia, o visitante é induzido em erro. Não existem nove propostas, como diz, "À descoberta de Portugal a bordo do comboio regional". Eram nove, agora são oito. No ramal de Cáceres, em Portalegre, o comboio deixou de apitar no primeiro dia de Fevereiro. Motivo: falta de rentabilidade. A nona proposta turística, que transportava o viajante a Castelo de Vide e Marvão, fica para a história.

Como para o estudo da arqueologia industrial ficarão alguns dos mais belos troços ferroviários portugueses. Corgo, Tua, Tâmega, Barca d'Alva... e outros se seguem certamente. Fica o interior do país mais abandonado, isolado, de solidões com menos acessos.

Serão estes cortes uma inevitabilidade? Não haveria outra solução: ao invés de encerrar, tornar estas linhas atractivas, verdadeiras alternativas ao automóvel?

O caminho parece ser outro. Há muito tempo, é certo, não ouvimos os políticos a dar qualquer sinal de preocupação com a despovoamento que devasta o país. Isso também faz parte do passado. E assim se avança. Fecham urgências hospitalares, fecham serviços de atendimento permanente, acabam os comboios. Até que não reste ninguém a morar por esses sítios. Quando a CP - empresa do Estado, da qual se espera um serviço público - fechar as linhas que dão prejuízo, fica no ponto para mudar de mãos. Quem a comprar não terá, seguramente, de prestar qualquer serviço público - o objectivo será mais prosaico, o lucro.

P.S. Nem só o interior é alvo do desmantelamento da CP. A linha de Leixões, pensada para transportar 2,9 milhões de pessoas por ano, fechou. Sem que a estação que lhe daria sentido (no hospital de S. João) chegasse sequer a nascer.



quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Pouco dinheiro e pouca gente param o pouca-terra

O serviço regional é dispendioso e a contenção orçamental não perdoa. A CP vai retirar-se de algumas linhas do país, deixando estações e apeadeiros vazios, e aldeias que já só verão passar os comboios de mercadorias. Na nova geografia ferroviária não há lugar para as regiões do Alentejo e do Norte

Ler o resto da notícia: Jornal de Notícias