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sábado, 30 de março de 2019

Comboios históricos da CP regressam ao Douro e Vouga em junho


A A CP - Comboios de Portugal anunciou, esta sexta-feira, que os comboios históricos do Douro e do Vouga vão circular entre os meses de junho e outubro, este ano com uma redução na oferta em relação ao ano anterior.
"A partir de 1 de junho e até 26 de outubro, o comboio histórico do Douro, composto por uma locomotiva a vapor e cinco carruagens históricas de madeira datadas do início do século XX, regressa à paisagem singular do Douro Vinhateiro, reconhecido como Património Mundial pela UNESCO, no habitual percurso entre a Régua e o Tua, com paragem na Vila do Pinhão", refere a CP em comunicado.
As viagens realizam-se todos os sábados e no feriado de 15 de agosto, num total de 23 viagens.
Já o comboio histórico do Vouga vai realizar, entre os dias 29 de junho e 12 de outubro, viagens todos os sábados, num total de 16.
"O comboio histórico do Vouga é uma composição de três carruagens de madeira datadas dos primeiros anos do século XX, rebocada por uma locomotiva diesel de 1964, e vai percorrer a Linha do Vouga, entre Aveiro e Macinhata do Vouga", acrescenta.
A empresa adianta que em 2019 estes programas turísticos apresentam uma redução do número de viagens programadas, uma vez que o ano passado se verificou "uma redução dos níveis de procura destes produtos face ao ano anterior".
"No comboio histórico do Douro viajaram, em 2018, 6190 clientes, quando em 2017 esse número foi cerca de 10100 clientes. As receitas obtidas foram da ordem de 51700 euros em 2017 e 43100 euros em 2018", refere a empresa.
No comboio histórico do Vouga, em 2018, viajaram 1630 clientes, enquanto que no ano anterior este número foi de cerca de 2000 clientes. As receitas obtidas foram da ordem dos 375 mil euros em 2017 e de 234 mil euros em 2018.
"A CP mantém a aposta neste segmento de turismo ferroviário, procurando conjugá-la com a necessária sustentabilidade e equilíbrio económico destes produtos. Os comboios históricos do Douro e Vouga estarão também disponíveis para a realização de circulações especiais, para clientes que estejam interessados na sua contratação", conclui.

Fonte: Jornal de Notícias

sexta-feira, 29 de março de 2019

CP acaba com comboio turístico na linha do Douro.


As viagens no Comboio Miradouro, na linha do Douro, vão acabar. A CP diz que "o mercado não terá valorizado" estas carruagens suíças e que, além disso, o comboio "gera prejuízo".
Dois anos depois de terem sido criadas, as viagens no comboio turístico do Douro vão acabar. A decisão de descontinuar o Comboio Miradouro, formado por carruagens suíças dos anos 50, tem a ver com a falta de rentabilidade do serviço e a pouca valorização dada pelos viajantes, justifica a CP – Comboios de Portugal.
“A CP constatou que a procura, na linha do Douro, continuou a concentrar-se nos comboios realizados com Automotoras UTD 592, indicando que o mercado não terá valorizado o Comboio Miradouro”, disse fonte oficial da CP ao Público (acesso condicionado). “Mesmo considerando um cenário de lotação completa, este comboio gera prejuízo para a CP, dada a logística necessária à sua produção”.
Assim, a CP vai uniformizar a oferta no Douro com as automotoras espanholas alugadas à Renfe, que dispõem de ar condicionado (contrariamente ao comboio Miradouro), mas que não permitem desfrutar da paisagem através dos espaços amplos e das janelas, o principal motivo de atração de clientes no verão.
“As automotoras 592 garantem menores custos produtivos, melhor resultado económico, menor consumo energético e menor consumo de recursos humanos, pelo que é a solução que mais contribui para criar valor económico para a CP”, explicou a empresa.
O presidente da Câmara da Régua disse ao Público que desconhecia esta decisão e que vai questionar a empresa. “Tenho a lamentar que acabem com este comboio porque era mais valor acrescentado para o turismo do Douro, que ainda por cima está a crescer”, disse, acrescentando que “é mais uma vez o interior do país a ficar penalizado”.
Já Luís Pedro Martins, presidente do Turismo do Porto e Norte, ressalva a elevada procura por transportes públicos dos turistas que visitam o Douro e diz não compreender esta decisão. “Tenho sérias dúvidas sobre o argumento da CP de que o comboio não é rentável”, afirmou, justificando que a região recebe cerca de 4,3 milhões de turistas por ano, 75% deles na zona do Porto e que o Comboio Miradouro permite o transporte para o interior, mas também uma experiência diferente de viagem.
Esta decisão é também considerada um “erro do ponto de vista comercial” por António Brancanes dos Reis, presidente da Associação Portuguesa dos Amigos dos Caminhos-de-ferro (APAC). “Este comboio tem tido enorme adesão do público porque as carruagens Schindler proporcionam ao público desfrutar da paisagem do Douro pela possibilidade de abertura das janelas, e porque os próprios horários permitiam que fosse utilizado pelos turistas para um passeio com almoço na Régua ou no Pinhão”.

Fonte: Eco Sapo

quinta-feira, 9 de março de 2017

Estudo defende linha do Douro como alternativa à Beira Alta para ligação a Espanha


Reabrir a linha do Douro até Barca d’Alva custa apenas 43 milhões de euros, mas são necessários mais 119 milhões do lado espanhol. Investimento é justificado pelo turismo, pelo minério de Moncorvo e por colocar o porto de Leixões mais perto de Espanha.
Um estudo da Infraestruturas de Portugal, a que o PÚBLICO teve acesso, dá por adquiridos os investimentos já previstos pela empresa para a linha do Douro e que contemplam a eletrificação até à Régua, mas acrescenta-lhes a prossecução da modernização até ao Pocinho e a reabertura da parte restante até Barca d’Alva, que foi encerrada em 1988.
Mais: o estudo da gestora de infraestruturas abrange também o troço espanhol desde Barca d’Alva até La Fuente de San Esteban (a 57 quilómetros de Salamanca), onde passa a linha internacional de Vilar Formoso para o País Basco e França.
Do lado português, reconstruir os 28 quilómetros da linha Pocinho – Barca d’Alva custa 43 milhões incluindo a sua eletrificação (ou 30 milhões se não for eletrificada) e do lado espanhol o investimento estimado situa-se entre os 87 e os 119 milhões de euros, consoante a linha seja para comboios a diesel ou elétricos. Para ambos os troços há a possibilidade de obter fundos comunitários ao abrigo do programa comunitário Interreg.
Para fundamentar estes investimentos, o documento refere que “a reativação da ligação internacional permite enquadrar a linha do Douro entre dois importantes polos geradores de tráfego e dotados de infraestruturas de transporte relevantes”: o aeroporto Francisco Sá Carneiro e o terminal de passageiros de Leixões de um lado, e a estação de Alta Velocidade de Salamanca. Entre estes pontos “surge um eixo turístico de excelência, constituído por quatro destinos classificados pela UNESCO como Património da Humanidade: Porto, Douro Vinhateiro, Gravuras Rupestres do Vale do Côa e Salamanca”.
Nos últimos anos tem vindo a crescer a procura de passageiros na linha do Douro para fins turísticos, a par da dos cruzeiros fluviais, que não se limitam à Régua, seguindo também a Barca d’Alva.
No que toca às mercadorias, a Infraestruturas de Portugal refere o potencial deste corredor ferroviário para o escoamento do minério de Moncorvo, não só para Leixões (como está previsto), mas também para as plataformas industriais e logísticas de Castela-Léon através de Barca d’Alva.
O estudo apresenta ainda a abertura desta ligação internacional como a melhor solução para as mercadorias do porto de Leixões chegarem a Espanha e à Europa, dado que encurta a viagem (de ida e volta) em menos 220 quilómetros do que pela linha da Beira Alta. Uma solução que tem ainda a vantagem de evitar fazer passar o tráfego de mercadorias de Leixões pelo sobrecarregado troço Ovar – Gaia na linha do Norte.
O plano de investimentos ferroviários apresentado em Fevereiro do ano passado prevê, no entanto, a construção de uma linha nova entre Aveiro e Mangualde que custa 677 milhões de euros. O projeto foi chumbado por Bruxelas porque a análise custo-benefício era negativa, mas o governo vai voltar a candidatá-lo a fundos comunitários. 
Aplauso autárquico
“Do ponto de vista comercial [a reabertura da linha] seria absolutamente extraordinário”. Carlos Guerra, consultor da MTI – Ferro de Moncorvo, não poupa nos adjetivos: “seria fabuloso porque há grandes siderurgias espanholas no norte de Espanha, nomeadamente em Gijón, e isso permitia-nos escoar o minério por um caminho mais curto”.
A empresa que tem a concessão das minas de Moncorvo tem previsto transportar parte do minério por comboio até Leixões e, para já, estando apenas prevista a eletrificação da via férrea até à Régua, Carlos Guerra diz que já veria com bons olhos que a modernização prosseguisse até ao Pocinho.
Gustavo Duarte, presidente da Câmara de Foz Côa, diz que concorda plenamente com as premissas deste estudo da Infraestruturas de Portugal, até porque o seu concelho é o único no país que tem dois patrimónios da UNESCO: o Douro Vinhateiro e as gravuras rupestres. Acrescenta-lhe o Centro de Alto Rendimento do Remo e de Canoagem do Pocinho, “que é considerado um dos melhores do mundo” e que só ganharia com uma maior acessibilidade. “A reabertura da linha seria a cereja em cima do bolo para esta região”, disse ao PÚBLICO, acrescentando que tem insistido junto de vários governos e em reuniões com espanhóis que se alocassem fundos do programa Interreg para este projeto transfronteiriço.
Em sintonia, está, naturalmente, o diretor do Museu de Foz Côa, Martinho Baptista. “Sempre defendi a reabertura desta linha que passa mesmo em frente ao museu e onde há ainda a antiga estação. Para nós haveria todo o interesse pois permitia-nos receber mais visitantes do Porto e de Espanha”, disse.
Matilde Costa, em representação da Barcadouro, Rota do Douro e Tomaz do Douro (empresas especializadas em cruzeiros de um dia no rio Douro) recorda que já em 2009 houve uma “assinatura festiva” de um protocolo entre a Estrutura de Missão do Douro, a Refer, a CP a CCDRN e o IPTM na presença da atual ministra do Mar, Ana Paula Vitorino, à data secretária de Estado dos Transportes. O objetivo era reativar a linha do Pocinho a Barca d’Alva, “mas não passou das boas intenções”.
No entanto, considera que um tal projeto deve ser “viabilizado pela Infraestruturas de Portugal e pelo governo como medida estruturante para a região”.
A Douro Azul, o principal operador turístico fluvial do Douro, não quis prestar declarações ao PÚBLICO.
Contactada a Medway (antiga CP Carga), fonte oficial da empresa respondeu que “obviamente, tudo quanto seja criar facilidades de comunicação ferroviária, leia-se infraestruturas, com Espanha, merece o apoio da Medway, na medida em que potencia o seu negócio”.
Mas o mesmo não respondeu a sua concorrente Takargo. “Na perspectiva pura das mercadorias, haveria que verificar quais os tráfegos que utilizariam esta saída para Espanha”, diz Miguel Lisboa, daquela empresa. “E haveria que ver se há alguma expectativa de reabertura do lado espanhol porque sem continuidade do outro lado, isto não faz sentido”. O administrador diz que, para o seu negócio, é mais importante que se façam de vez as obras de modernização das linhas do Minho e da Beira Alta e se construa o Évora – Caia.

Levar o suburbano a Amarante

Enquanto ramal da linha da Douro, o troço de 13 quilómetros de via estreita entre Livração (concelho de Marco de Canavezes) e Amarante, foi também alvo de um estudo sumário com vista à sua reconversão em via larga e inserção na rede de suburbanos do Porto.
Aquela linha foi encerrada em 2009 para ser reabilitada, mas as obras nunca tiveram início, ficando a infraestrutura abandonada. O documento da Infraestruturas de Portugal diz que “a reconversão em via larga do troço Livração – Amarante não apresenta grandes dificuldades técnicas e permite encurtar a distância para cerca de 10 quilómetros”. Obriga, no entanto, à construção de 750 metros de túneis e 250 metros de viadutos, bem como de uma nova estação na cidade. O investimento previsto é de 37,5 milhões.
Um outro antigo ramal de via estreita foi também objeto de atenção prospetiva. Parte da velha linha do Sabor, entre Pocinho e Carvalhal (23 quilómetros) poderá ser reconstruída para transporte de minério das minas de Moncorvo, ligando-se assim diretamente à linha do Douro. O documento refere que a baixa velocidade ali permitida devido à sinuosidade do traçado não é um problema porque se destinaria a comboios de mercadorias. E que a própria pendente (naquele troço a linha sobe do nível do rio Douro ao planalto mirandês) também não o é visto que os comboios subiriam vazios e desceriam carregados. Trinta milhões de euros é o investimento estimado, necessariamente comparticipado pelas próprias minas de Moncorvo.

Fonte: Público


segunda-feira, 2 de julho de 2012

Novo projeto CT - 2012


1. Introdução
Este projeto começou com a nostalgia de um Flaviense que teve a alegria e o prazer de poder viajar nas linhas do Corgo e do Tua, antes destas belas linhas ferroviárias, de via estreita transmontanas, terem sido encerradas. Nenhuma alma flaviense consegue ficar indiferente quando percorre o trajeto da antiga linha do Corgo à procura dos vestígios do que ainda resta desse passado glorioso. O mesmo sucede quando visitamos os despojos da Linha do Tua em Abreiro e em Mirandela.  
Quem não recorda o passado quando estes comboios circulavam cheios de passageiros ao longo das linhas transmontanas?
Quem não guarda na memória a imagem de sair na estação de Peso da Régua, do comboio procedente do Porto e apanhar o comboio para Chaves... Esta mudança de comboio tinha de ser rápida para conseguir um lugar à janela. Eram muitas as pessoas que seguiam no comboio para Chaves. O comboio andava sempre cheio até Vila Pouca de Aguiar. Após esta estação era possível arranjar algum espaço livre.
Quem não se lembra de ver a estação de Vidago cheia de gente…
O que mais revolta em tudo isto é a passividade dos autarcas transmontanos sobre o encerramento das Linhas Transmontanas. Todos gostam de falar de regionalização, mas não seriam as Linhas Transmontanas, a bandeira mais emblemática de afirmação dessa regionalização?!
Qualquer região europeia com autonomia regional, tem como principal premissa e preocupação, o estabelecer de vias de comunicação entre os municípios da sua região. O comboio é hoje, a melhor aposta que tem vindo a ser seguida na Europa. Vejam os vários exemplos da nossa vizinha Espanha, que está a modernizar todas as suas vias estreitas, não só para turismo, mas também para o transporte diário de passageiros. A exploração turística que faz dessas vias-férreas é uma das formas de financiamento encontradas para manter abertas essas linhas ao transporte de passageiros. Mas o que realmente faz dessa exploração um sucesso, é oferta de um serviço de qualidade, com uma boa oferta de horários e com comboios modernos, que para além do conforto que oferecem, conseguem uma maior rapidez nas viagens entre as localidades.
Quando em 2010 iniciámos o projeto CT – Comboios Transmontanos S.A. confinámo-lo praticamente aos traçados já existentes, construindo apenas alguns novos ramais. Após termos aprofundando a nossa análise sobre o projeto da FEVE, fonte de inspiração para o projeto CT e juntamente com os contributos que fomos recebendo, alargamos o campo de exploração do projeto CT a todas as linhas de via estreita em Portugal, passíveis de exploração. Contudo, com a atual conjuntura económica, achamos melhor restringir o projeto CT às linhas transmontanas. Contudo, conseguimos encontrar uma forma de melhorar os resultados de exploração das linhas transmontanas com a construção de uma nova linha, a Linha de Braga, que ligará a Linha do Corgo à cidade de Braga, passando por Fafe e Guimarães. Com esta nova linha conseguimos finalmente ligar diretamente, por via ferroviária, as cidades de Guimarães e Braga. Além disso, voltamos a colocar no mapa ferroviário a cidade de Fafe. O traçado desta nova linha, utilizará parte do traçado da antiga Linha Guimarães (via estreita).
Com a Linha de Braga conseguimos ligações mais rápidas aos comboios Alfa Pendular com destino a Lisboa com partida de Braga e/ou Guimarães. Conseguindo criar horários que permitem que no mesmo dia, se possa ir e voltar, de Bragança e/ou Chaves a Lisboa.
A ligação das cidades de Braga e Guimarães por via-férrea, irá ser uma das mais-valias financeiras deste projeto.
Além disso, propormos a reativação do troço entre Pocinho e Barca d’Alva em via estreita, ligando assim este troço à linha do Sabor. Esta ligação irá permitir a circulação de um comboio turístico, o Transmontano Express entre Régua e Barca d’Alva, circulando ao longo das linhas do Corgo, Tua e Sabor. Para que esta circulação seja possível, irão ser construídos 2 ramais que vão permitir a ligação entre a Linha do Corgo com a Linha do Tua e a ligação entre a Linha do Tua com a Linha do Sabor.
Assim, defendemos que a CT - Comboios Transmontanos S.A. fique responsável pela gestão das linhas do Tâmega, Corgo, Tua, Sabor, Braga, Ramal de Valpaços (ligação da Linha do Corgo à Linha do Tua) e Ramal de Vimioso (ligação da Linha do Tua à Linha do Sabor). Com estes ramais é possível fazer uma gestão integrada de todas as linhas, permitindo a viabilidade do projeto.
Este projeto é pragmático sobre a questão da barragem da EDP e a consequente submersão de parte da Linha do Tua, por isso, defendemos a utilização da Linha do Tua apenas entre Abreiro (ou Brunheda) e Bragança, ficando assegurada a ligação à Linha do Douro através da Linha do Corgo e da Linha do Sabor, com a construção dos novos troços. Contudo, estamos disponíveis para prolongar a Linha do Tua para além de Abreiro até ao local onde vai ser construído o ancoradouro dos barcos do projeto da EDP.
Para além do transporte de passageiros, este projeto está preparado para gerir o transporte de mercadorias. Grande parte das estações foi redimensionada para receber comboios de mercadorias, estando previsto a construção de terminais de mercadorias.
Com a reabertura da Linha do Douro entre Pocinho e Barca D’Alva permitirá ao Transmontano Express (a nossa aposta no turismo ferroviário) explorar possíveis parcerias com as empresas que exploram as viagens fluviais ao longo do Rio Douro até Barca D’Alva, oferecendo uma viagem num comboio especial focado para a vertente turística. Esta viagem iria percorrer os traçados das várias linhas transmontanas, desde Barca D’Alva até à Régua. Para valorizar ainda mais o projeto do Transmontano Express defendemos a transformação em Pousada da estação de Barca D’Alva. Desta forma irá permitir oferecer pacotes turísticos ainda mais interessantes, conjugando a estadia com viagens de barco e de comboio.
As viagens do Transmontano Express podem ser associadas a outras parcerias regionais ao longo das várias localidades transmontanos por onde passa.
O projeto CT propõe a construção de 240 km de via-férrea e a reposição/modernização de 429 km. No total estamos a falar de 669 km de via-férrea. È o maior projeto ferroviário de via estreita alguma vez apresentado em Portugal, desde o início da construção das primeiras linhas de caminhos-de-ferro em Portugal.
Está na altura de Portugal deixar de construir mais autoestradas e apostar finalmente naquilo que já deveria ter feito nos anos 80: modernizar e construir novas linhas de caminhos-de-ferro para transporte de passageiros e mercadorias. Se essa aposta tivesse sido feita no passado, com toda a certeza a atual conjuntura económica Portuguesa poderia ser outra. Estamos a pagar hoje pelos erros acumulados nas últimas 3 décadas. Não percamos mais tempo.
O projeto CT tem inúmeras vantagens para as populações servidas, tornando ainda mais apetecível o transporte ferroviário na atual conjuntura de crise económica.
O projeto CT foi melhorando em relação ao projeto inicial, graças aos contributos que fomos recebendo. Introduzimos algumas ideias novas, com o objectivo de tornar o projeto CT um projeto financeiramente rentável, para que possa ser um produto apetecível aos investidores privados. Deixámos de acreditar no estado português (governo e autarquias) como os principais acionista deste projeto. Além disso, queremos também demonstrar a exequibilidade de um grande projeto no sector ferroviário através da iniciativa privada.
É bom para a economia Portuguesa que mais projetos privados apareçam neste sector. Não podemos estar sempre à espera da moleta ou dos subsídios estatais. A conjuntura atual da economia Portuguesa poderia ser outra, se a nossa economia não fosse demasiada dependente do estado e se este não estivesse demasiado presente. Quanto maior for o “comboio” do estado na economia, mais impostos somos obrigados a pagar e menos financiamento fica disponível para os verdadeiros investidores, criadores de riqueza.
Por isso defendemos a abertura de um concurso para a concessão da exploração das linhas transmontanas por um prazo nunca inferior a 50 anos, onde o estado cede todas as infraestruturas existentes à futura concessionária, sem qualquer custo para esta. Em contrapartida, a concessionária terá de modernizar todas as linhas transmontanas e assegurar tarifas sociais. A concessão é renovável por períodos idênticos, caso o estado não pretenda renovar a concessão terá de reembolsar todas as mais-valias que a concessionária efetuou às infraestruturas das linhas, acrescidas de juros comercias à taxa em vigor.
O Estado concederá a DUP à concessionária para possa fazer todas as expropriações que achar necessárias, incluindo a prioridade do traçado ferroviária em relação às estradas nacionais.
Esperamos que o nosso trabalho esteja bem elaborado para que os eventuais investidores apareçam para financiar este projeto, tendo como garantia o retorno do seu investimento.

aqui o novo projeto CT ou podes transferir o ficheiro para o teu computador.



terça-feira, 29 de novembro de 2011

CP admite acabar com comboio histórico no Douro, se não encontrar parceiros



A CP está à procura de "entidades públicas ou privadas" que possam ser suas parceiras na exploração do comboio histórico do Douro, para minimizar os prejuízos que tem tido naquele serviço e que a empresa diz não poder mais suportar. "Caso esta solução [parcerias] não seja viável, está efectivamente em causa a sua continuidade", disse ao PÚBLICO fonte oficial da empresa.

No Verão passado o resultado de exploração deste comboio a vapor, que durante a época alta faz viagens entre a Régua e o Pinhão, foi de 60 mil euros negativos. Um resultado bastante melhor do que o de 2010, em que o prejuízo foi de 110 mil euros. A CP diz que tal se deveu a um grande esforço para reduzir custos "sem prejudicar a qualidade e atractividade do produto". Este ano o comboio histórico teve custos de 150 mil euros e receitas de 90 mil euros.

A transportadora pública diz que tem tido como parceiros neste negócio o Hotel Douro Palace, a Cenários do Douro, Vintage House, Aquapura Valey, ACP e Régua Douro, mas que "estas parcerias não representam envolvimento nos custos, mas apenas vantagens comerciais para os clientes". Este ano viajaram no comboio histórico 2270 pessoas, o que representa uma média de 206 passageiros por comboio realizado (a capacidade total de é de 250). Uma taxa de ocupação de 82 por cento que, curiosamente, é superior à da média do serviço regional da empresa.

No ano passado este serviço teve 1639 passageiros, a que corresponde uma média de 149 passageiros por comboio. Isto até significa que a procura tem vindo a aumentar e que os prejuízos têm vindo a diminuir, mas a empresa - que, no âmbito do acordo com a troika, está sujeita a uma forte pressão para reduzir custos devido ao défice das empresas públicas de transportes - diz que fazer serviços turísticos não é a sua vocação. Mas não tem dúvidas acerca do "inquestionável valor histórico e turístico deste produto, em particular para a região do Douro" .

A maioria dos clientes deste comboio são de Lisboa e Porto e, entre os passageiros estrangeiros, destacam-se os ingleses, franceses e espanhóis. Alguns vêm integrados em circuitos turísticos no Douro e outros vêm por conta própria. Um inquérito da CP revela que o leque de idades se situa entre os 26 e os 65 anos, "com uma distribuição percentual quase equitativa nas várias faixas etárias, o que prova a atractibilidade e transversabilidade do produto".

No Verão passado o resultado de exploração deste comboio a vapor, que durante a época alta faz viagens entre a Régua e o Pinhão, foi de 60 mil euros negativos. Um resultado bastante melhor do que o de 2010, em que o prejuízo foi de 110 mil euros. A CP diz que tal se deveu a um grande esforço para reduzir custos "sem prejudicar a qualidade e atractividade do produto". Este ano o comboio histórico teve custos de 150 mil euros e receitas de 90 mil euros.

A transportadora pública diz que tem tido como parceiros neste negócio o Hotel Douro Palace, a Cenários do Douro, Vintage House, Aquapura Valey, ACP e Régua Douro, mas que "estas parcerias não representam envolvimento nos custos, mas apenas vantagens comerciais para os clientes". Este ano viajaram no comboio histórico 2270 pessoas, o que representa uma média de 206 passageiros por comboio realizado (a capacidade total de é de 250). Uma taxa de ocupação de 82 por cento que, curiosamente, é superior à da média do serviço regional da empresa.

No ano passado este serviço teve 1639 passageiros, a que corresponde uma média de 149 passageiros por comboio. Isto até significa que a procura tem vindo a aumentar e que os prejuízos têm vindo a diminuir, mas a empresa - que, no âmbito do acordo com a troika, está sujeita a uma forte pressão para reduzir custos devido ao défice das empresas públicas de transportes - diz que fazer serviços turísticos não é a sua vocação. Mas não tem dúvidas acerca do "inquestionável valor histórico e turístico deste produto, em particular para a região do Douro" .

A maioria dos clientes deste comboio são de Lisboa e Porto e, entre os passageiros estrangeiros, destacam-se os ingleses, franceses e espanhóis. Alguns vêm integrados em circuitos turísticos no Douro e outros vêm por conta própria. Um inquérito da CP revela que o leque de idades se situa entre os 26 e os 65 anos, "com uma distribuição percentual quase equitativa nas várias faixas etárias, o que prova a atractibilidade e transversabilidade do produto".

Material à venda
O comboio a vapor do Douro é composto pela locomotiva a vapor 0187, que foi construída na Alemanha em 1923 e enviada para Portugal como indemnização da I Grande Guerra. Alimentada a carvão, esta máquina reboca três carruagens de madeira dos anos 20 do século passado, construídas nas oficinas da Figueira da Foz e que pertenceram à Companhia dos Caminhos de Ferro da Beira Alta. Uma das razões que encarece o custo deste serviço é a obrigatoriedade de, atrás da composição, seguir uma dresina com pessoal da Refer e bombeiros que verificam se há algum indício de incêndio nas imediações da via férrea. Um cuidado que não existiu durante os mais de cem anos em que na linha do Douro só existia tracção a vapor.

A CP admite também vender o comboio histórico de via estreita que está parqueado na Régua e que chegou a fazer algumas excursões na linha do Corgo até Vila Real. A última realizou-se em 2005 e a empresa está agora a procurar interessados que possam adquirir a composição (composta por uma máquina a diesel e carruagens históricas). O PÚBLICO perguntou à CP de que forma seria este material posto à venda e por que motivo não integraria este o espólio do Museu Nacional Ferroviário, mas a empresa não respondeu a esta questão.

As reacções
Considerando os valores financeiros em causa, absolutamente simbólicos para a realidade da CP, a Estrutura de Missão do Douro considera "criticável" a opção de encerramento do serviço do comboio histórico no Douro. "Esta decisão, a confirmar-se, não acompanha de todo a aposta que se faz hoje no desenvolvimento turístico da região, nem respeita o seu estatuto de Património da Humanidade.

Um destino como o Douro justifica, perfeitamente, um investimento desta diminuta dimensão", disse ao PÚBLICO o responsável por esta estrutura, Ricardo Magalhães. "Trata-se de manter um serviço que é um recurso importante na atractividade turística e no conhecimento do rio e da paisagem classificada. Até no plano económico, esta decisão é incompreensível. Pelo que se conhece, o prejuízo do serviço vem diminuindo drasticamente e o retorno que deixa na região será certamente superior ao seu custo", assinala.

Fonte: Público

quinta-feira, 17 de março de 2011

Voluntários limpam linha desactivada

Cerca de 30 voluntários portugueses e espanhóis iniciaram ontem a limpeza de um troço da linha de caminho-de-ferro que liga as estações de Fuentes de San Esteban (Espanha) e o Pocinho (Vila Nova de Foz Côa). Esta primeira intervenção, levada a efeito pela Associação transfronteiriça Todavia, teve início na localidade de Lumbrales (Espanha), estando programada a conclusão dos trabalhos de limpeza e desobstrução da via para o próximo mês de Abril.

Os defensores da ferrovia do Douro, que fazia a ligação entre o Porto e Salamanca, garantem que apenas querem "actuar em defesa do património ferroviário". A ideia passa por abranger todo o traçado da linha entre Fuentes de San Esteban – Lumbrales – Barca d’Alva – Pocinho – Estação do Côa, de modo a que estes troços possam passar para as mãos de pequenas empresas ou associações, que façam a sua exploração e manutenção.